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5 coisas sobre Diabetes para ajudar no controle da doença!

imagem de paciente medindo glicemia com exame de dedo

 

O Diabetes é um dos maiores desafios para a saúde pública da atualidade. Estima-se que 415 milhões de adultos sejam afetados pelo diabetes ao redor do mundo, e este número vem crescendo de forma alarmante, associado ao aumento da obesidade e do sedentarismo.

A Federação Internacional de Diabetes projeta que o número de casos ultrapasse os 640 milhões em menos de 15 anos e todos os anos desenvolvemos campanhas de conscientização para orientar a população em geral sobre isso.

Dados elaborados pela OMS (Organização Mundial de Saúde) indicam que o número de brasileiros com diabetes cresceu 61,8% nos 10 últimos anos. No Brasil quase 9% da população já é acometida por ela.

Além disso, os brasileiros desconhecem as graves consequências que o diabetes pode trazer, assim como o seu potencial de levar os pacientes portadores a óbito.

Entre 2010 e 2016, o Brasil registrou crescimento de 12% no número de mortes pela doença segundo o SIM e, somente em 2017, foram registradas quase 13 mil amputações decorrentes do diabetes. Esse é só um exemplo dos efeitos deletérios dessa enfermidade.

Você sabe o que é diabetes? Neste post, vamos dar informações sobre o assunto e tratar de uma de suas principais consequências: a retinopatia diabética. Confira.

1. O que é diabetes?

O Diabetes é uma doença crônica, incurável e que requer um grande envolvimento e educação do paciente para que o tratamento seja bem sucedido. A doença acontece quando o corpo não consegue manter os níveis de glicose controlados, em consequência da deficiência de produção e/ou de ação da insulina.

O diagnóstico é feito, resumidamente, quando a glicose no sangue em jejum ultrapassa 126mg/dl e chamamos de pré-diabetes quando a glicose se situa entre 100 e 125mg/dl.

A insulina é um hormônio secretado pelo pâncreas, cuja principal função é promover a entrada de glicose nas células. Quando ela não funciona corretamente ou não há produção suficiente, a glicose permanece no sangue, causando a hiperglicemia.

2. Quais os tipos de diabetes?

1. Diabetes Tipo 1:  corresponde de 5% a 10% de todos os casos, pode ocorrer em qualquer idade, mas na maioria dos casos é diagnosticado na infância e adolescência.

Ao contrário do Diabetes Tipo 2, o Tipo 1 evolui rapidamente, apresenta muitos sintomas e não tem como ser evitado. Neste caso, a doença é resultado de um processo autoimune onde o próprio corpo destrói as células produtoras de insulina e, por isso, o paciente necessita utilizar insulina diversas vezes ao dia, desde o diagnóstico.

Os sintomas são aumento da número de vezes que vai urinar, excesso de sede e perda de peso, apesar de estar com muita fome e comendo mais.

No Diabetes tipo 1, o pâncreas sofre um ataque de células do próprio corpo (processo autoimune), o que causa a destruição das ilhotas responsáveis por produzir a insulina. Dessa forma, a pessoa produz pouquíssimo ou nenhum hormônio. Normalmente esse problema é identificado quando o indivíduo é jovem.

2. Diabetes Tipo 2: é o mais frequente, corresponde a cerca de 90% dos casos, surge geralmente após os 40 anos de idade e pode evoluir, lentamente, ao longo do tempo sem apresentar sintomas.

Tem relação com excesso de peso, sedentarismo e história familiar de Diabetes. Inicialmente, o pâncreas produz insulina, mas ela não funciona bem. Com a evolução da doença a produção de insulina vai diminuindo. O diabetes tipo 2 pode ser evitado por meio de hábitos de vida saudáveis e da manutenção de um peso ideal.

Já o Diabetes tipo 2 é uma doença que se instala ao longo da vida, devido à capacidade diminuída das ilhotas pancreáticas de produzir insulina ou porque há um aumento da resistência ao hormônio que controla a entrada de glicose nos tecidos. Nesses casos a pessoa produz insulina, mas ela não é capaz de suprir a demanda do organismo.

A alta taxa de glicose (ou açúcar) no sangue traz diversos prejuízos para o corpo. Isso acontece porque a hiperglicemia é tóxica e pode lesar os sistemas a longo prazo.

3. Diabetes gestacional: afeta de 3% a 18% das gestações, dependendo da população estudada e dos métodos de diagnóstico. Ocorre quando a alteração da glicose é detectada pela primeira vez durante a gestação.

Todas as gestantes devem realizar exames para detectar o Diabetes. Caso a glicemia não seja mantida dentro de níveis adequados pode ter consequências sérias para a mãe e o bebê.

Após o nascimento, os níveis de glicose podem voltar ao normal.

Estas mulheres precisam ser acompanhadas de perto e apresentam maior risco de desenvolver Diabetes ao longo do tempo.

3. Quais são as principais causas dessa doença?

Como falado, o Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. O corpo cria anticorpos capazes de destruir suas próprias células. Existe uma tendência genética no DM 1, ou seja, é uma doença hereditária (passa de pais para filhos).

Já o Diabetes tipo 2 é uma doença multifatorial. Sendo assim, vários mecanismos interagem para que a patologia se desenvolva. A obesidade é um dos fatores mais expressivos que causam a resistência à insulina, um dos processos que causam a DM 2. Além disso, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, a síndrome do ovário policístico e a esteatose hepática também predispõem a essa condição.

4. Como o diabetes se manifesta no organismo?

Nefropatia Diabética

Os pequenos vasos do sistema renal são lesados devido à ação da hiperglicemia. Dessa forma, os rins tornam-se incapazes de filtrar adequadamente o sangue e, assim, há uma menor eliminação de substâncias tóxicas. Além disso, torna-se difícil eliminar o excesso de sal e água.

Esse processo lesa o sistema renal, além de ser prejudicial a todos os outros tecidos do corpo.

Retinopatia Diabética

O comprometimento da visão acontece em todos os tipos de diabetes. O aumento da permeabilidade dos vasos faz com que haja extravasamento de sangue e plasma nos delicados capilares dessa região.

Como a hiperglicemia é tóxica, os vasos ficam extremamente frágeis e mais propensos ao rompimento. Com o avanço da doença, há hemorragias e microaneurismas, o que leva o paciente a perder gradualmente a visão.

Em casos mais avançados, pode haver descolamento de retina.

Além das alterações na retina, cerca de 40% das pessoas com diabetes também desenvolvem o glaucoma.

A catarata é outra condição muito presente em pacientes com diabetes, visto que o risco de desenvolver a doença é maior nesse grupo e, além disso, é comum que o portador de DM desenvolva a catarata mais cedo.

Essa alteração é caracterizada pela opacificação do cristalino, ocasionando bloqueio da luz o que impede a pessoa de enxergar.

Atualmente, sabe-se que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira adquirida e, sem dúvidas, essa é uma das complicações mais temidas da doença. A maneira mais eficaz de prevenir essa complicação é através de visitas regulares ao oftalmologista.

Neuropatia Diabética

A neuropatia diabética é um problema relativamente comum em pessoas portadoras de Diabetes. Nesse caso, há lesão dos nervos, e, dessa forma, a pessoa tem uma diminuição da percepção do calor, do frio e da dor. Sendo assim, o indivíduo pode ferir o pé, por exemplo, e não notar.

Como a cicatrização é prejudicada em quem tem diabetes e a pessoa não percebe o machucado, ele pode se tornar muito grande e infeccionado.

Em alguns casos não é possível tratar a lesão e, infelizmente, os membros têm que ser amputados para interromper a progressão da doença. Esse tipo de machucado é mais comum nos pés — esses locais são os mais comumente amputados devido à neuropatia diabética.

5. Como o tratamento é feito?

O tratamento do Diabetes evoluiu muito, entretanto a maioria das pessoas afetadas não atinge a meta de controle, estando sujeita a desenvolver as complicações da doença.

Tratamento do diabetes tipo I

Para os pacientes com Diabetes do tipo 1, só existe um tratamento: a aplicação de insulina. Isso porque há perda das células que produzem o hormônio e, dessa forma, não existe forma de estimulá-las.

No Diabetes Tipo 1 a evolução é ainda maior, as primeiras bombas de insulina chegaram no Brasil em 2001 e o FDA acaba de aprovar a primeira geração de pâncreas artificial, que deve chegar ao mercado americano em meados de 2017. Acaba de ser lançado no país um sistema de monitoramento contínuo da glicose no líquido entre as células, que reduz a necessidade de medir a glicose furando a ponta do dedo.

Então, é a tecnologia mudando a evolução da doença e melhorando a qualidade de vida das pessoas com Diabetes.

Tratamento do diabetes tipo II

No entanto, o indivíduo portador de Diabetes do tipo 2 ainda tem as ilhotas pancreáticas. Dessa forma, é possível usar medicações que agem estimulando essas células a produzir uma maior quantidade de insulina.

Além disso, pode-se utilizar remédios que diminuem a resistência à insulina nos tecidos, o que propicia uma ação de maior potência do hormônio.

Hoje, existem mais de oito classes de medicamentos para o tratamento do Diabetes Tipo 2, que agem em mecanismos distintos da fisiopatologia da doença.

A decisão de qual a melhor medicação, ou combinação de medicações, para cada paciente, deve levar em conta diversos fatores, incluindo o desejo do paciente.

As metas do tratamento também devem ser individualizadas, considerando a idade do paciente e a presença de outros problemas de saúde.

Por isso, é fundamental que o indivíduo com Diabetes adquira informação e passe a ter uma postura ativa no gerenciamento da doença

Outras medidas de tratamento

Para todos os pacientes com diabetes recomenda-se uma modificação no estilo de vida. Para isso, deve-se restringir o consumo de açúcar e de carboidratos.

Também é importante abandonar o sedentarismo, perder peso, cessar o tabagismo e realizar o acompanhamento com um médico periodicamente, a fim de avaliar se os níveis de glicemia estão dentro do ideal.

E então, entendeu o que é diabetes e como ela afeta a visão? Se você é portador da doença, precisa se informar sobre a Retinopatia Diabética com maior propriedade, a fim de evitar seus efeitos deletérios. Leia o nosso guia sobre o assunto e cuide da sua saúde!

 

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Dr. Alexandre Rosa

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA/1996) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP/2005). Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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