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Entenda a relação entre AIDS e as doenças oculares!

Entenda a relação entre AIDS e as doenças oculares!

A síndrome da imunodeficiência adquirida ou AIDS, provocada pelo vírus HIV, pode resultar em doenças ocorrentes em qualquer parte do corpo. Entre elas estão as doenças oculares.

A AIDS pode se estabelecer e não apresentar sintomas por muito tempo. Por essa razão, é importante a rotina do acompanhamento médico, ainda mais quando a doença já estiver instalada, mesmo que não existam sintomas.

Continue a leitura e descubra a relação entre AIDS e as doenças dos olhos.

Os possíveis efeitos da AIDS em diferentes partes do corpo

O principal efeito do vírus HIV no organismo humano é uma alteração no sistema imunológico, isto é, nas defesas do organismo. Por essa razão, inúmeras doenças podem encontrar oportunidade de se manifestar em diferentes partes do corpo.

Nesse sentido, os olhos não estão livres. Pelo contrário, sérias doenças oculares podem surgir como resultado da AIDS no organismo humano, alcançando diversas regiões dos olhos. Na verdade, a incidência de distúrbios nos olhos é muito grande nas manifestações da doença.

Assim, podem ser afetadas desde áreas superficiais da estrutura dos olhos, como as pálpebras, até partes mais delicadas e profundas, como a retina e os nervos oculares, entre outras. Quando isso acontece, doenças como retinite e outras infecções oculares podem surgir.

No entanto, mesmo após ser diagnosticada a presença do vírus, podem não haver sintomas nos olhos, assim como em qualquer outra parte do corpo por longos anos. Quando, porém, o organismo se encontrar em situação de baixa imunidade, o quadro pode mudar e as doenças podem se manifestar.

A importância dos exames de rotina

As visitas ao consultório do oftalmologista para os exames de rotina são capazes de perceber a presença do vírus da AIDS no organismo da pessoa. Nesses casos, o médico poderá tomar medidas imediatas para conhecer o estado geral da pessoa e, em particular, a condição de seus olhos.

Por sua vez, as manifestações do HIV nos olhos podem se dar a qualquer momento. Por essa razão, é imprescindível a adoção de exames de rotina feitos periodicamente para que não ocorram surpresas desagradáveis e perigosas.

Isso significa que é possível manter-se alerta e, se acontecer, conseguir agir de maneira precoce. Do mesmo modo, em continuação, os exames periódicos podem apontar tão logo apareçam os primeiros sintomas de algum problema nos olhos provocado pela AIDS.

Portanto, fazer exames oftalmológicos com frequência é a melhor medida de segurança para se detectar precocemente qualquer problema com a saúde dos olhos. Esse cuidado vale para qualquer pessoa, em qualquer idade, mas especialmente quando se tratar da AIDS.

Doenças oculares que podem ser causadas pelo HIV

O organismo humano, ao ser invadido pelo vírus HIV, pode tornar-se bastante suscetível na sua capacidade de proteger-se de inúmeros problemas externos. Ao mesmo tempo, também pode apresentar grande fragilidade interna para diversas situações.

Como resultado, várias doenças podem se instalar. Nesse sentido, os olhos são particularmente afetados.

Retinite por CMV

A infecção pelo citomegalovírus (CMV) é frequente entre as pessoas com AIDS. Como resultado, pode se instalar um processo infeccioso na retina dos olhos, caracterizando a retinite por CMV.

Na ocorrência dessa doença, podem ser lesionados os pequenos vasos sanguíneos que irrigam a retina. As consequências podem ser edemas (acúmulo de líquidos) e hemorragias, e evolução para a perda da visão.

O tratamento para os casos de retinite por CMV se faz principalmente pela utilização de medicamentos antivirais. Ao mesmo tempo, deve ser considerada a terapia antirretroviral para impedir que a imunidade se reduza ainda mais e o organismo fique suscetível a novas infecções.

Sarcoma de Kaposi

O sarcoma de Kaposi é um tipo de câncer que se desenvolve nas camadas internas dos vasos sanguíneos. Aparece caracteristicamente em pessoas infectadas com o vírus da AIDS.

Quando esses pacientes apresentam infecção pelo CMV, passam a apresentar maior predisposição para o desenvolvimento do sarcoma de Kaposi. Nesse caso, a doença costuma afetar qualquer região do corpo que contenha pele e mucosas. Quando alcança os vasos sanguíneos dos olhos, pode levar à perda da visão.

O tratamento do sarcoma de Kaposi é feito com o uso de antirretrovirais e quimioterápicos, podendo ser necessária intervenção cirúrgica oftalmológica. Para o sucesso do tratamento são parâmetros importantes a idade, o estado da doença e a condição do sistema imunológico do paciente.

Retinopatia pelo HIV

A retinopatia provocada pelo HIV (conhecida como retinopatia da AIDS) é a doença ocular mais comum dentre aquelas resultantes da síndrome. Provoca manchas brancas como flocos de algodão (exsudatos algodonosos) e pequenas hemorragias na retina.

Considerada entre as mais importantes alterações na microvasculatura ocular, parece resultar de lesões das paredes dos vasos provocadas diretamente por ação do vírus HIV. Por sua vez, deve ser diferenciada da retinopatia por CMV.

Os exsudatos da retinopatia da AIDS costumam regredir espontaneamente entre 2 e 6 semanas. Além disso, seu desaparecimento não costuma estar associado ao surgimento de sequelas.

Tuberculose ocular

A tuberculose ocular pode atingir diretamente os olhos (infecção primária, mais rara) ou migrar dos pulmões para os olhos (infecção secundária, mais comum). Nesse caso, pode afetar a úvea, o nervo óptico e a retina.

Os principais sintomas resultantes da doença são a fotofobia (vista sensível à luz) e um embaçamento da visão. A tuberculose ocular pode evoluir e provocar descolamento da retina, catarata e hemorragia do vítreo, entre outras complicações.

O tratamento da doença se faz com o uso de antibióticos. No entanto, é demorado — pode levar até dois anos. Por essa razão, é preciso persistência e cuidado para não falhar na utilização dos medicamentos, a fim de se evitar o risco do desenvolvimento de resistência e inviabilizar a cura.

Uveítes

Íris, corpo ciliar e coroide constituem o trato uveal, que circunda o olho. A uveíte é a inflamação de qualquer uma dessas três partes, e que costuma ser confundida com a conjuntivite em razão de alguns sintomas em comum, como vermelhidão, dor e sensibilidade à luz.

A doença pode ser provocada por fatores como toxoplasmose e sífilis. Nesses casos, a ocorrência da uveíte é mais na porção posterior do olho. Por sua vez, doenças autoimunes como a artrite reumatoide são mais comumente responsáveis pela uveíte anterior.

De todo modo, a uveíte precisa ser combatida adequadamente ou pode comprometer a visão para sempre. Seu tratamento varia em função da origem da doença e da região do olho afetada.

Diversas doenças relacionadas à AIDS podem acometer os olhos. A visita frequente para o diagnóstico e o acompanhamento para o tratamento devem sempre ser realizados com um oftalmologista.

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

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