• Blog
  • Sífilis ocular: saiba mais sobre esta doença que pode levar a cegueira.

Sífilis ocular: saiba mais sobre esta doença que pode levar a cegueira.

Sífilis ocular: conheça 4 problemas que causados na visão

A sífilis ocular é alvo de preocupação crescente por parte dos oftalmologistas. O motivo é que há fortes indícios de uma epidemia de sífilis no Brasil, uma doença venérea que acomete vários órgãos e pode levar à complicações oculares.

Apesar de não haver levantamentos específicos sobre o número de brasileiros com perda da visão causada pela sífilis, dados do Ministério da Saúde apontam que a cegueira provocada pela doença está em ascensão.

Para um melhor entendimento sobre o assunto, reunimos, neste artigo, informações sobre a doença, abordando suas causas, tratamento e prevenção. Continue a leitura para saber mais!

O que é sífilis ocular

A sífilis ocular é uma manifestação da neurossífilis, que provoca uma infecção no cérebro ou na coluna espinhal em pessoas com sífilis, que foram infectadas e não receberam o devido tratamento.

Embora tenha uma maior probabilidade de ocorrer na fase terciária da doença, de acordo com o Centro de Controle de Doenças (o CDC) dos EUA, ela pode surgir durante qualquer estágio da sífilis, inclusive no primário e secundário.

Dessa forma, é importante entender como a doença se desenvolve em cada um dos estágios, como podemos ver a seguir. Acompanhe!

Sífilis latente

Esse é um estado inativo da sífilis, que não apresenta sintomas. A doença pode ficar nessa condição por muito tempo sem que o paciente perceba. Embora não apresente sintomas pode ter um desenvolvimento pelo surgimento de sinais da forma secundária ou terciária.

Sífilis primária

Os sintomas se manifestam de 10 a 90 dias após a infecção pela bactéria Treponema pallidum, com o aparecimento de feridas indolores (cancros) no local infectado — normalmente na região genital, mas também podem surgir na boca ou ânus.

As feridas desaparecem mesmo sem tratamento e não deixam cicatrizes, porém, a bactéria torna-se inativa (dormente) no organismo.

Sífilis secundária

Esse estágio ocorre após duas a oito semanas do surgimento das primeiras feridas. Calcula-se que cerca de 33% dos pacientes que não receberam tratamento no primeiro estágio, desenvolvem esse nível da doença.

Os sintomas podem incluir coceira, vermelhidão pelo corpo (exantema) e aparecimento de íngua (gânglios inchados) no pescoço e axilas. Também é possível causar febre e dores que atingem os músculos, garganta e cabeça.

Normalmente, esses sintomas desaparecem mesmo sem tratamento após cerca de 15 dias, porém, a bactéria fica residente no organismo, facilitando o desenvolvimento para o próximo estágio. Nessa fase, a doença ainda é transmissível por meio do contato com a região infectada.

Sífilis terciária

A terciária, ou neurossífilis, é a que ocorre quando a infecção permanece sem tratamento por anos. Nesse estágio, a identificação da doença é mais difícil, já que pode apresentar sintomas comuns a diversas doenças e, também, pelo fato de envolver grandes vasos (como a aorta), olhos, cérebro, coração, articulações e até o sistema nervoso.

É a fase mais grave da doença, que pode provocar cegueira. Embora o tratamento para a infecção da sífilis possa impedir o avanço dos danos oculares, nesse estágio a doença pode comprometer outros órgãos de maneira irreversível. Algumas formas de neurossífilis podem ser até mesmo mortais.

Sífilis congênita

É quando a mãe infectada transmite a doença para o bebê, durante a gravidez ou por meio da placenta, na hora do parto. A maioria dos bebês que nascem infectados não apresentam sintomas da doença. Entretanto, alguns sinais indicativos podem ocorrer, como rachaduras nas solas dos pés e palmas das mãos.

Posteriormente, a criança pode desenvolver sintomas mais graves, como deformidades nos dentes e surdez.

Alterações oculares causadas pela doença

A sífilis pode causar alterações oculares nas diversas fases da doença, muitas vezes, são confundidos com outras doenças. Veja, a seguir, alguns dos principais sintomas.

1. Olhos avermelhados

A condição de olhos vermelhos, também conhecida como uveíte, pode, muitas vezes, ser confundida com a conjuntivite.

A uveíte é uma inflamação ocular que compromete toda a área da úvea ou uma de suas partes (corpo ciliar, coroide e íris). Em alguns casos, a inflamação atinge também o nervo óptico e a retina.

2. Visão turva ou embaçada

Um dos sintomas de sífilis ocular é o embaçamento da visão, com a percepção de objetos borrados, dificuldade de distinguir os rostos das pessoas e uma sensação de que as letras se mexem no livro ou no computador.

Essas alterações também se apresentam em outras doenças não relacionadas à sífilis, como diabetes, catarata, doença de Graves, glaucoma, entre outras.

3. Fotofobia

A fotofobia é a intolerância ou sensibilidade acentuada à luz, podendo ser provocada pela luminosidade artificial ou natural. Essa é uma das principais queixas a que se referem os pacientes diagnosticados com sífilis.

A sífilis pode levar à perda da visão por dificultar a chegada da luz até a retina, bem como o transporte do estímulo luminoso para o cérebro. Por meio de um exame de fundo de olho é possível verificar alterações funcionais e anatômicas, como o descolamento da retina.

4. Perda da visão

Quando não tratada de maneira adequada, a sífilis ocular pode provocar a cegueira quando afeta e destrói as estruturas oculares mais nobres, como nervo óptico, retina, mácula e coroide.

A sífilis congênita pode ser responsável por vários comprometimentos oculares na criança, como redução do globo ocular, lesões da retina, catarata e cegueira.

Como a doença é contraída

A doença é provocada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente pelo contato sexual desprotegido, que infecta o organismo por meio de pequenos cortes presentes nas mucosas ou na pele.

A sífilis é contagiosa nos estágios primário e secundário e, às vezes, durante o início do período latente. Ela também é transmitida por meio das transfusões de sangue e da mãe para o filho em qualquer fase da gestação ou no momento do parto (sífilis congênita).

Tratamento e prevenção da sífilis

Na maioria dos casos, o tratamento é realizado com penicilina (antibiótico). Quando administrado corretamente, algumas alterações oculares podem ser revertidas. Entretanto, em casos de complicações, com a falta de tratamento, a perda da visão pode ser irreversível.

Além disso, deve haver um acompanhamento da doença por meio de exames clínicos e laboratoriais, inclusive, por parte dos parceiros sexuais.

Prevenção

A melhor forma de prevenir a infecção é por meio da adoção de práticas sexuais seguras, com o uso de preservativos masculinos ou femininos, bem como o acompanhamento pré-natal.

Também é fundamental que os pacientes evitem contato sexual até terminarem o tratamento e avisem às pessoas que mantiveram relacionamentos íntimos. Veja, a seguir, os riscos de contágio de acordo os estágios da doença:

  • estágio primário — todos os parceiros dos últimos três meses apresentam riscos de estarem infectados;
  • estágio secundário — todos os parceiros do ano anterior podem desenvolver a doença.

Nesse sentido, os parceiros também devem se submeter à triagem com um exame de pesquisa de anticorpos, por meio de amostra de sangue. Para os resultados positivos, o tratamento deve ser iniciado imediatamente.

Como pudemos observar, a sífilis ocular é um agravamento da infecção por sífilis e, dependendo do estágio da doença, pode levar à cegueira. Dessa forma, é fundamental se consultar com um médico oftalmologista aos primeiros sinais de qualquer alteração na visão.

Este artigo foi útil? Caso tenha restado alguma dúvida sobre a sífilis ocular ou esteja sentindo alguns dos sintomas comentados, entre em contato conosco!

Sífilis ocular: saiba mais sobre esta doença que pode levar a cegueira.
5 (100%) 1 vote[s]

Tags:, ,

Avatar

Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

Deixe um comentário