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Você sabia que o lúpus pode afetar os olhos?

Lúpus eritematoso sistêmico: entenda mais sobre esse assunto

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença provocada pelo sistema imunológico e que pode atingir qualquer pessoa. Precisa ser tratada pois traz danos significativos para o organismo.

Nesse sentido, é uma das causas de doença vascular na retina e capaz de trazer danos à visão. É preciso conhecer a doença, a fim de poder agir em tempo hábil.

Continue a leitura e entenda mais sobre o lúpus eritematoso sistêmico.

O que é lúpus eritematoso sistêmico?

O lúpus eritematoso sistêmico (LES), ou apenas lúpus, é uma doença inflamatória autoimune, isto é, provocada pelo próprio sistema imunológico (sistema de defesa) do organismo. Nesse sentido, um desequilíbrio do próprio corpo provoca a doença como que por engano.

O surgimento da doença pode se dar de forma gradativa, ao longo de meses, ou mais rapidamente, aparecendo em poucas semanas. o lúpus pode se manifestar em diversos órgãos do corpo, por isso é dito sistêmico, e afetar ainda as paredes dos vasos sanguíneos e as articulações, além do sistema nervoso.

Existe um tipo de lúpus cutâneo, também chamado de lúpus discoide, que se manifesta com manchas vermelhas (eritematosas) na pele apenas. Essa forma da doença aparece comumente nas partes do corpo mais expostas à luz do sol.

Algumas pessoas com o lúpus cutâneo podem, eventualmente, apresentar evolução para o tipo sistêmico. A grande maioria dos casos de lúpus é de mulheres em idade fértil, mas crianças, jovens e idosos também podem ser acometidos.

Quais os principais sintomas?

Como doença autoimune, os sintomas de lúpus eritematoso sistêmico podem aparecer e desaparecer de forma reiterada, sem uma causa aparente. Por sua vez, são as manifestações sintomáticas vão depender do órgão ou parte do corpo que foi afetada.

Além disso, os sintomas também dependem da fase da doença, ou seja, atividade (quando a doença se manifesta) ou remissão (quando a manifestação da doença regride). De todo modo, é comum que na fase ativa as pessoas apresentem cansaço, alguma febre e perda de peso.

Os principais sintomas que podem aparecer são, entre outros:

  • dor nas articulações;
  • inchaços;
  • rigidez muscular;
  • dificuldade para respirar;
  • dor no peito em respiração profunda;
  • dor de cabeça;
  • queda de cabelo;
  • fotossensibilidade;
  • tosse seca;
  • feridas na boca;
  • aumento do tamanho dos nódulos linfáticos.

Como o lúpus afeta os olhos?

Como o lúpus é uma doença inflamatória, o paciente pode apresentar os olhos avermelhados. Essa condição pode ser acompanhada de dores de intensidade variada.

Além disso, manifestações de fotofobia (a luz incômoda) e visão embaçada também podem ocorrer. Alguns pacientes apresentam alteração na identificação das cores e do campo visual.

No entanto, a simples presença da vermelhidão dos olhos sem causa aparente, acompanhada ou não de outros sintomas, deve orientar o paciente a buscar uma avaliação de um oftalmologista. Apenas esse profissional poderá fazer o diagnóstico adequado e promover o tratamento específico.

Deve-se levar em conta, ainda, que a medicação prescrita para o tratamento do lúpus também pode ser potencialmente danosa para os olhos. Os corticoides, por exemplo, necessários para o tratamento de doenças autoimunes, são sabidamente indutores do glaucoma e da catarata.

Por sua vez, outros medicamentos utilizados no tratamento, como os antimaláricos, podem ser tóxicos para a retina com danos variáveis desde o assintomático até a perda da visão. Por essa razão, o acompanhamento do oftalmologista durante o tratamento é ainda mais importante.

Como é feito o diagnóstico?

Existe um conjunto variado de manifestações clínicas mais frequentes que o médico avalia durante a consulta. Essas condições podem levar à suspeita ou à confirmação do diagnóstico, além de alguns exames que também podem ser solicitados.

Para esse fim, existe um elenco de 17 critérios aceitos, estabelecidos pelo Systemic Lupus International Collaborating Clinics, do Colégio Americano de Reumatologia, conhecidos por “critérios SLICC”. Desse modo, o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico pode ser confirmado em qualquer das seguintes situações:

  • pelo menos 4 dos 17 critérios SLICC;
  • ocorrência de nefrite (inflamação dos rins) comprovada por biópsia e anticorpos específicos no exame de sangue.

Uma vez diagnosticada a doença, a pessoa deve iniciar o tratamento adequado à sua condição e às manifestações que apresenta. No entanto, é importante que mantenha uma rotina de consultas definida pelo médico, a fim de verificar alguma evolução da doença ou manifestação antes não ocorrente.

Existe tratamento para o lúpus?

O lúpus é uma doença para a qual não existe cura, mas que pode ser controlada com tratamento adequado. Com os cuidados necessários, é perfeitamente possível a manutenção da qualidade de vida.

Nesse caso, todo o tratamento é individualizado, dependente das manifestações apresentadas pelo paciente. De todo modo, existem recursos terapêuticos que permitem o controle das situações de crise e de evolução da doença.

A mesma pessoa, em épocas diferentes, pode requerer tratamentos diferenciados em razão dos órgãos afetados, assim como do nível de atividade da inflamação. É certo que, além dos cuidados que devem ser tomados para se evitar exacerbações da doença, medicação corticoide e antimalárica pode ser receitada mais comumente.

Os corticoides, por exemplo, podem ser essenciais para o paciente com lúpus. Esses medicamentos funcionam como anti-inflamatórios e imunossupressores (controlam o sistema imunológico).

No entanto, é de extrema importância que o paciente com lúpus siga estritamente a orientação médica com relação à medicação. Os retornos periódicos permitem realizar os ajustes necessários, sobretudo nas dosagens, de modo que o tratamento seja totalmente personalizado.

Quais os cuidados que a pessoa com lúpus deve tomar?

Como se viu, embora seja uma doença crônica, existe tratamento para o lúpus. Para isso, existem alguns cuidados que servem para evitar a intensificação dos sintomas, assim como o surgimento de exacerbações (novos sintomas) da doença.

Evitar exposição ao sol

Havendo necessidade de expor-se ao sol por qualquer razão, é imprescindível a utilização de protetor solar com fator de proteção 30, no mínimo. Esse cuidado deve ser ainda maior no caso de manifestações epidérmicas (quaisquer manchas ou pintas na pele).

Atenção à alimentação

A alimentação da pessoa com lúpus deve observar algumas características essenciais, principalmente em razão do uso de corticoide:

  • rica em cálcio: para evitar a possibilidade de osteoporose;
  • pobre em gordura: para evitar picos de colesterol e triglicérides;
  • pobre em açúcar: para evitar o aumento da glicemia.

Manter o acompanhamento médico

Novas manifestações podem surgir, assim como efeitos colaterais da medicação empregada. O acompanhamento médico, nesses casos, é indispensável, seja para ajustar a medicação, solicitar algum exame ou avaliar novas manifestações da doença.

Evitar o tabagismo

A questão envolvida com o cigarro não é o dano do tabaco ao organismo. Na verdade, a ação da medicação que pode ser necessária (hidroxicloroquina) é inibida pelo hábito de fumar e, dessa forma, o tratamento pode ficar prejudicado.

Assim, os aspectos relacionados ao lúpus eritematoso sistêmico devem ser bem conhecidos para que as iniciativas, quando necessárias, sejam tomadas da forma mais adequada.

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

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