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Moscas volantes: o que são e com o que devo me preocupar?

Moscas volantes: o que são e com o que devo me preocupar?

Está com a sensação de que há mosquinhas que seguem o movimento de seus olhos? Atenção: você pode estar com descolamento de vítreo!

A princípio, não costuma ser motivo de muitas preocupações, porém existe um risco associado, que é o da ocorrência de fragilidades na retina. Isso pode acontecer porque o vítreo é um gel que preenche a cavidade ocular e que protege essa parte tão importante do olho.

O sintoma mais frequente do descolamento é a presença das chamadas moscas volantes, que são aqueles pequenos pontos ou manchas escuras que flutuam pelo campo de visão formando imagens semelhantes a teias de aranha, nuvens ou rabiscos.

A seguir, explicaremos o fenômeno com mais detalhes, indicando suas causas, sintomas mais comuns e aqueles que podem indicar maior gravidade e formas de tratamento para cada caso. Continue a leitura e confira!

O que é descolamento de vítreo?

A razão para a ocorrência de descolamento de vítreo é a liquidificação do mesmo. O vítreo é um gel transparente e viscoso que ocupa a maior parte do interior do globo ocular. Ele é composto por 99% de água e está em contato tanto com a retina, na parte posterior dos olhos, quanto com o cristalino, na parte anterior. A substância é responsável por conservar o formato esférico do olho, além de proteger a retina.

Quando nascemos, o humor vítreo é bastante espesso, tal qual uma gelatina, porém, com o passar dos anos, ele vai ficando mais líquido e menos gomoso. Uma das consequências desse fato é que o vítreo pode se desprender de alguns pontos da retina, formando aquilo que os oftalmologistas denominam como descolamento de vítreo.

Denomina-se descolamento de vítreo posterior total quando o fluido gelatinoso está totalmente desgrudado da retina. O parcial refere-se ao fato de existirem fragmentos ainda aderentes de vítreo.

É necessário frisar que o acontecimento não é encarado como uma doença, visto que ele decorre de um processo normal de envelhecimento do corpo. Apesar de não apresentar riscos imediatos à visão, é preciso estar alerta aos sintomas para evitar complicações ou agravamento do estado.

Quais são os principais sintomas?

A principal queixa dos pacientes que possuem descolamento de vítreo é o aumento súbito do número de moscas volantes e de flashes de luz (fotopsia) no campo visual. Outro sintoma frequentemente citado é a sensação de que os olhos estão mais “pesados”.

Procurar um oftalmologista assim que os primeiros sintomas aparecerem é uma medida de segurança, visto que, se não tratado de maneira imediata e adequada, o descolamento de vítreo pode ocasionar outro problema (esse sim bastante grave!) que é o descolamento da retina. Portanto, não deixe para depois!

Moscas volantes? O que são?

As chamadas moscas volantes são pequenas frações de vítreo condensadas (grumos), formadas quando o vítreo se solta da retina. A impressão que causam é a de que estão do lado de fora, quando, na realidade, estão flutuando dentro da cavidade ocular.

Esses pontos na visão movem-se de acordo com os movimentos oculares, no entanto, não os acompanham com exatidão, parecendo escapar quando a pessoa tenta olhar diretamente para eles. Esse constante movimento produz imagens que se assemelham ao formato de insetos, teias de aranha, linhas ou nuvens (daí receberem o nome de moscas volantes!). O que percebemos no campo visual são as sombras dos grumos exibidas sobre a retina.

É importante esclarecer que, na maior parte das vezes, as moscas volantes não interferem no que enxergamos. Entretanto, ao passarem pela linha de visão, essas partículas podem efetuar um bloqueio da luz, gerando sombras na retina. Esta última, por sua vez, é uma faixa que fica localizada no fundo do olho e sua principal função é receber os estímulos luminosos e enviá-los para o cérebro através do nervo ótico.

Essas alterações visuais costumam ser mais diretamente percebidas em ambientes com alta claridade ou iluminação (luz natural ou artificial) como, por exemplo, céu claro com sol forte, tela de computadores ou celulares etc.

Moscas Volantes

Luz atravessando a cavidade ocular, incidindo sobre opacidades causa a percepção de manchas flutuando no campo de visão.

E o que significam os flashes luminosos?

A percepção decorre de quando o vítreo, durante o processo de descolamento, efetua uma tração na retina, isto é, realiza um estímulo mecânico que incide diretamente sobre a retina. O efeito é o aparecimento de uma espécie de clarão de luz ou, como dizemos popularmente, uma sensação de “ver estrelas” (bem parecida com aquela obtida quando cerramos e apertamos os olhos, de forma a comprimir o globo ocular).

Os flashes luminosos podem ser um indicativo de casos de maior gravidade, isto é, podem estar associados a perturbações na retina decorrentes do descolamento de vítreo. Por isso, recomenda-se que os pacientes procurem efetuar uma avaliação com um retinólogo. Esse profissional é altamente capacitado para identificar a presença, ou não, de rasgaduras, buracos ou, em situações mais graves, de descolamento total de retina.

Existe um grupo de risco?

Sim, existem alguns indivíduos mais inclinados a possuírem problemas como esse. Como já dito, o fenômeno está diretamente relacionado com o envelhecimento do corpo, isto é, conforme o avanço da idade.

Dessa maneira, o grupo que apresenta maior propensão ao desenvolvimento de moscas volantes (ou ao descolamento de vítreo) é o de pessoas com mais de 50 anos. O número cresce ainda mais em idosos que possuem idade em torno de 80 anos. Apesar disso, o problema também pode ocorrer em pessoas mais jovens, sobretudo àquelas que têm miopia.

Pacientes que, em algum momento, foram submetidos à cirurgia de catarata, retina ou que tiveram doenças como a uveíte (inflamação da úvea, que é a parte do olho que abarca a íris, o corpo ciliar e a coroíde) também costumam relatar o aparecimento desse tipo de manchas na visão.

Devo me preocupar?

Quando o processo está restrito ao vítreo, apesar de desconfortável, ele não oferece perigo imediato à saúde dos olhos. Costumamos também, em geral, aprender a conviver com as suas manifestações.

Entretanto, há risco de ocorrerem complicações no desenvolvimento do quadro do paciente. Ainda que seja em uma minoria dos casos, os sintomas podem estar indicando a existência de distúrbios mais sérios, como:

  1. Rasgadura ou buraco na retina: quando há o descolamento do vítreo alguns de seus pedaços podem ficar presos na retina produzindo, assim, uma rasgadura nessa região. Percepção de flashes luminosos, além das moscas volantes, são também sinais desse problema. É uma condição bastante séria, e não deve ser negligenciada, pois pode ocasionar um descolamento da retina.
  2. Descolamento da retina: é um problema grave que pode provocar perda de visão e cegueira. Traumas e lesões nos olhos podem provocar ferimentos o descolamento de retina total ou parcial.
  3. Inflamação ocular: algumas doenças inflamatórias da retina (uveítes) apresentam sintomas de dor e inchaço na área dos olhos, coceira, visão turva, vermelhidão e também o aparecimento de moscas volantes.
  4. Hemorragias na cavidade vítrea: pacientes diabéticos, casos de descolamento vítreo abrupto ou oclusão de veia da retina podem ocasionar sangramentos na cavidade vítrea, sendo percebidos pelos pacientes por meio do aparecimento de manchas na visão.

Como os sintomas são praticamente indistintos, o correto a ser feito é procurar um oftalmologista assim que perceber as primeiras manifestações. Somente esse profissional pode verificar adequadamente qual é gravidade do seu caso, assim como, determinar sobre a necessidade ou não de tratamento.

O diagnóstico é feito através do exame de fundo de olho, ou mapeamento de retina. Na maior parte dos casos, também é indicado efetuar uma ultrassonografia, a fim de verificar a existência de lesões que podem causar o descolamento da retina ou mesmo identificar doenças inflamatórias, como as uveítes.

Como tratar as moscas volantes?

Não existe um tratamento específico para o descolamento de vítreo. Todavia, como o principal de seus sintomas (as moscas volantes), apesar de inofensivo, é bastante incômodo, muitas pessoas procuram uma maneira de se livrar deles. Vale reforçar que não há necessidade disso, visto que essas manchas ou pontos na visão não oferecem risco para a saúde ocular e tendem a desaparecer ao longo do tempo.

Antigamente, o único tratamento possível para a diminuição das moscas volantes era uma cirurgia — bastante invasiva — denominada vitrectomia. O procedimento consiste na retirada de parte ou de todo o humor vítreo do olho e a sua substituição por um gel lúcido estéril.

Porém os contras da vitrectomia costumam superar os prós. Entre os riscos possíveis, estão o descolamento da retina provocado cirurgicamente e as infecções oculares sérias. Somado a isso, ainda que sejam raras as ocasiões, o procedimento pode aumentar a quantidade de moscas volantes. Devido a esses motivos, cirurgiões oftalmológicos geralmente não recomendam a cirurgia.

Se o surgimento de moscas volantes não estiver mais limitado ao descolamento de vítreo, e sim ao descolamento da retina, outros procedimentos são indicados e devem ser realizados com rapidez.

As cirurgias apropriadas para o descolamento de retina a retinopexia ou a já citada vitrectomia. É preciso enfatizar novamente que só o oftalmologista possui conhecimento suficiente da situação para saber qual é a mais aconselhável.

A prevenção é sempre a melhor forma de cuidar dos seus olhos e da sua saúde como um todo! Não se esqueça de efetuar consultas regularmente, pois elas vão esclarecer suas dúvidas e apontar, de forma rápida, a existência de qualquer irregularidade. Os distúrbios da visão, quando tratados de forma adequada e em tempo hábil, possuem sempre maiores chances de recuperação!

Agora que você já se informou sobre os sintomas, causas e tratamento para o descolamento de vítreo e as moscas volantes, que tal se inteirar sobre os 5 principais exames de retina?

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Dra. Thais Mendes

Dra. Thais Mendes

Médica Oftalmologista; Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica; Aluna de pós-graduação/doutorado UNIFESP-EPM; Retina Research Fellowship (University of California San Francisco 2012-2014); Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Fellowship Clínico e Cirúrgico em Retina e Vítreo (Instituto Suel Abujamra 2009-2012); Fellowship de Ultrassom Ocular (Santa Casa de São Paulo 2011-2012).

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