Injeção intravítrea: saiba mais sobre esse tratamento

Injeção intravítrea: saiba mais sobre esse tratamento

Injeção intravítrea: saiba mais sobre esse tratamento

Os avanços na área da oftalmologia permitiram a melhora e a devolução da visão para diversas pessoas. Um desses avanços é o uso da injeção intravítrea, utilizada para o tratamento de diferentes doenças que afetam a retina.

Essa técnica revolucionou o tratamento oftalmológico e ajuda a salvar a visão de milhares de pacientes no mundo todo. Apesar de parecer dolorosa e complicada, ela gera pouco desconforto e é bastante segura.

Ficou interessado no assunto? Então leia este artigo que elaboramos para explicar como funciona a injeção intravítrea e como ela é utilizada no tratamento de doenças oculares. Continue a leitura e confira!

O que é a injeção intravítrea de antiangiogênico?

A injeção intravítrea é uma técnica que, assim como nome sugere, faz a aplicação de uma medicação diretamente no vítreo, estrutura gelatinosa e viscosa localizada na região interna e posterior do olho. Essa parte do olho, com o passar dos anos, sofre mudanças, o que pode causar doenças e levar à perda da visão.

Com essa técnica, diversos medicamentos podem ser injetados nessa parte profunda do olho, como:

  • antiangiogênicos: que impedem a formação de novos vasos ou neovasos;
  • corticoides: com efeito anti-inflamatório;
  • antibióticos: para eliminar ou impedir a multiplicação de microorganismos;
  • bactericidas: antibióticos que eliminam bactérias e
  • fungicidas: controlam infecções por fungos.

Desses, os mais utilizados para o tratamento de problemas da retina são os antiangiogênicos e os corticoides. Esses dois medicamentos são indicados para controlar doenças que levam ao edema ou a hemorragia da mácula, a região central da retina.

Como a injeção intravítrea é feita?

Independentemente do tipo de medicamento utilizado, o procedimento é o mesmo. Ele dura poucos minutos, bastando o paciente chegar ao hospital ou clínica entre 30 e 60 minutos de antecedência, para fazer a dilatação da pupila e a aplicação de colírio anestésico, o que evita desconfortos durante a injeção intravítrea.

Não é necessário usar a anestesia geral, apenas local (gel ou colírio). Em seguida, o médico realiza a aplicação, de forma rápida e indolor.

Nos primeiros dias, não é indicado nenhum tipo de repouso, mas é importante limitar as atividades cotidianas para permitir a recuperação. Antes mesmo de 30 dias, o paciente já poderá retornar a sua rotina regular, inclusive a prática de exercícios físicos mais intensos.

Vale ressaltar que a injeção intravítrea é indicada para muitos casos, mas conta com uma contraindicação: a presença de infecção ocular. Quando há infecção, é preciso tratar essa condição antes da realização do procedimento.

Quais doenças são tratadas pela injeção intravítrea?

Diversas doenças podem se beneficiar com o tratamento por meio da injeção intravítrea, especialmente quando se utiliza antiangiogênicos, medicamentos que impedem a formação de novos vasos. A seguir, listamos as mais comuns e com maior importância terapêutica:

Degeneração macular relacionada à idade

É uma doença que causa lesão e desgaste de uma pequena área da retina, chamada mácula, responsável pela visão de detalhes. Nesta doença são formados neovasos abaixo da retina, causando embaçamento visual e a percepção de manchas escuras no centro da visão.

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) afeta cerca de 3 milhões de pessoas só no Brasil, sendo bastante comum em indivíduos com idade superior a 55 anos. Ela pode evoluir aos poucos, com o paciente convivendo com o problema por anos sem ter conhecimento e buscar tratamento.

Em cerca de 90% dos casos ocorre a forma seca ou atrófica, menos grave e provocada pelo envelhecimento natural. Já a forma úmida é menos comum, porém mais grave se não for tratada. Por isso, é fundamental fazer o diagnóstico o mais rápido possível, o que é possível por meio de visitas regulares ao oftalmologista.

Retinopatia diabética

A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes. Se essa doença não for devidamente tratada, a concentração muito alta de glicose no sangue pode alterar a permeabilidade dos vasos sanguíneos da retina. Caso eles se rompam, o sangue e o fluído podem dificultar a visão, levando até à cegueira.

Os sintomas mais comuns de retinopatia diabética são: visão turva, distorcida, com manchas e a perda progressiva da acuidade visual ou mesmo o descolamento da retina. 

Eles só aparecem no estágio mais avançado da doença, podendo o paciente viver muito tempo sem saber da existência do problema. Por isso, é fundamental que a pessoa com diabetes procure um oftalmologista regularmente.

É indicado, também, que pacientes com propensão ao desenvolvimento de diabetes façam esse acompanhamento com um profissional, uma vez que a doença pode se desenvolver sem apresentar nenhum sintoma e, ao ser descoberta, já ter prejudicado a saúde ocular.

A doença não tem cura, mas pode ser retardada ou ter os sintomas reduzidos com alguns tratamentos, como:

Edema macular diabético

O edema macular diabético pode ser considerado uma complicação da retinopatia diabética. Se o diabetes não for tratado, há probabilidade de provocar a retinopatia e evoluir para o edema. Além disso, é possível ser agravado por outras comorbidades, como o colesterol alto e a hipertensão arterial.

No início, também não apresenta sintomas. Posteriormente, a pessoa pode enxergar imagens distorcidas, borradas e ter mais dificuldade em distinguir cores, bem como perda da visão central. Seu diagnóstico é feito com o exame de mapeamento de retina e o OCT.

Essa complicação frisa ainda mais a importância de pacientes diabéticos realizarem check-ups regulares e ficarem atentos ao aparecimento de qualquer sintoma que podem ser um sinal de problema ocular.

Oclusão de veia da retina

Ao se formar um coágulo/trombo, uma veia da retina pode se romper, provocando hemorragia ou a formação de edema. Não se sabe exatamente por que isso acontece, mas alguns fatores aumentam o risco, como:

Antes da oclusão, a veia afetada não apresenta nenhum sintoma. Quando ela acontece, a visão tende a ficar embaçada, com a formação de uma mancha escurecida. Em geral, é um quadro dramático, com uma possível perda súbita de visão.

Se não for tratada, a oclusão de veia da retina tende a evoluir para uma isquemia, glaucoma (neovascular) e até descolamento da retina, problemas que podem causar a perda de visão repentina. Por isso que é tão importante fazer exames de rotina e tratar os fatores de risco.

Quais os tipos de medicamentos antiangiogênicos?

As injeções intravítreas foram usadas pela primeira vez no início do século XX e logo começaram a ser utilizadas em diversos procedimentos. No entanto, foi a criação dos medicamentos atuais que possibilitaram as técnicas utilizadas nos dias de hoje. Eles foram desenvolvidos com tecnologias modernas, por laboratórios de ponta.

Os medicamentos antiangiogênicos são bloqueadores do fator natural responsável pela formação dos vasos sanguíneos, chamados de fator de crescimento vascular endotelial (VEGF). Por essa razão, também podem ser chamados de anti-VEGF.

Quando age de forma desenfreada, devido a uma doença ou anomalia, pode provocar a perda da visão. Isso porque estes novos vasos são finos, frágeis e mais suscetíveis a sangramentos. Assim, os medicamentos aplicados com as injeções intravítreas impedem que novos vasos sejam formados, como acontece nas doenças da retina mencionadas anteriormente.

A formação desses vasos pode ser identificada por meio do exame de fundo de olho. Como não apresentam sintomas nos estágios iniciais, é importante que pessoas acima dos 55 anos ou pacientes com diabetes façam consultas regulares ao oftalmologista. As injeções são mais eficazes se o problema for descoberto precocemente.

Medicamentos mais utilizados no Brasil

Os antiangiogênicos mais utilizados na injeção intravítrea são os medicamentos bevacizumabe e ranibizumabe com anticorpos monoclonais, capazes de bloquear a ação do VEGF. A molécula do bevacizumabe é mais antiga, desenvolvida há algum tempo para tratar diversos tipos de tumores, particularmente os de intestino.

O medicamento impede a formação dos vasos responsáveis pela nutrição do tumor, evitando o crescimento e o avanço da doença. Só no início de 2000, é que foram realizados experimentos para seu uso também dentro do olho.

Já o ranibizumabe é um medicamento um pouco mais moderno, cuja aplicação é mais recomendada para o tratamento de doenças da retina, sobretudo a DMRI úmida.

Além desses dois medicamentos, também existe o aflibercepte, uma molécula desenvolvida especialmente para o tratamento das doenças da retina.

Esses 3 medicamentos são compostos por anticorpos e proteínas específicas que se ligam a outras, responsáveis pelo VEGF. Essas estruturas são desnaturadas, ou seja, perdem sua função inicial. Desta maneira, não são formados novos vasos e os existentes começam a secar.

Veja a seguir mais informações sobre os principais medicamentos utilizados na injeção intravítrea.

Bevacizumabe (Avastin®)

Foi inicialmente aprovado pela FDA (órgão americano regulador para liberação de medicações) para o tratamento do câncer colorretal metastático. No Brasil, obteve autorização da ANVISA para o tratamento de DMRI em 2016.

Trata-se de um anticorpo monoclonal, ou seja, produzido por um único clone de apenas 1 linfócito B parental, clonado e perpetuado, resultando sempre no mesmo anticorpo que responde a um agente patogênico. Tem como função bloquear o fator de crescimento VEGF-A, que corresponde ao fator de crescimento endotelial vascular “A”.

O tratamento de doenças da retina com esse medicamento tem se mostrado eficaz, com capacidade de reduzir a perda visual e, em alguns casos, melhorar a visão dependendo do tipo de doença, gravidade e duração dos sintomas.

A aplicação do medicamento é realizada por injeções intraoculares para o tratamento de diversas doenças, como:

  • degeneração macular forma úmida;
  • edema macular diabético;
  • edema macular secundário a oclusões venosas e
  • retinopatia diabética proliferativa, como auxiliar terapêutico para a cirurgia de vitrectomia e/ou laser.

Dependendo da gravidade da doença, as aplicações devem ser repetidas a cada 30 dias.

Ranibizumabe (Lucentis®)

Trata-se de um medicamento com a mesma origem e atividade biológica do citado anteriormente, o Bevacizumabe, que bloqueia o “VEGF-A”.

Após estudos clínicos com mais de 1.300 pacientes controlados que demonstraram a segurança e eficácia, foi aprovado pelo FDA para o tratamento de DMRI úmida (ou exsudativa) e para edema macular secundário a oclusões venosas da retina.

O tratamento é efetuado com injeções a cada 30 dias durante um ano ou 3 injeções sequentes, com as demais em intervalos de acordo com a resposta do estado clínico. Em alguns casos, aplicações alternadas com menos injeções podem ser realizadas a critério médico.

O medicamento também é utilizado para o tratamento de edema macular proveniente de oclusão da veia central e do ramo venoso da retina. Para esses casos, o tratamento, em geral, é efetuado com injeções mensais por 6 meses.

O Ranibizumabe tem sido utilizado ainda, para tratar outras doenças oculares como:

  • edema macular (inchaço da área central da retina, a mácula), nos casos de maculopatia diabética;
  • membrana neovascular subretiniana de outras causas;
  • neovascularização intraocular, decorrente da Retinopatia Diabética Proliferativa e das Oclusões Venosas da Retina.

Aflibercepte (Eylia®)

Testado em mais de 2.400 pacientes, foi considerado eficiente e seguro para o tratamento da degeneração macular relacionada à idade em sua forma úmida.

Esse anti-VEGF impede a ligação da proteína VEGF (Fator de Crescimento Vascular Endotelial) que é aumentada na DMRI, com o seu receptor específico, reduzindo fluídos e sangramentos.

O Aflibercepte é aplicado por meio de injeção intravítrea a cada 30 dias por três meses consecutivos. Posteriormente, as injeções devem ser administradas a cada dois meses ou de acordo com orientação médica. Isso representa uma grande vantagem em relação ao tratamento padrão atual que exige visitas e exames de acompanhamento mensais.

Brolucizumabe-dbll

Essa substância é utilizada em mais de 27 países e foi liberada recentemente para ser usada no Brasil. Por meio da injeção intravítrea, esse medicamento é indicado para a degeneração macular relacionada à idade neovascular, também chamada de úmida.

Esse remédio consegue alterar a quantidade de sangue que chega até o olho e, consequentemente, evita vazamentos de fluidos e a formação de tecido fibroso e cicatricial. A partir do seu uso é possível reduzir os sintomas da doença, como o embaçamento, ou evitar a cegueira.

O brolucizumab-dbll deve ser aplicado mensalmente nas primeiras 3 doses. Após esse período, o oftalmologista deverá avaliar o caso para traçar o prazo entre as outras doses.

Qual antiangiogênico é mais indicado para o tratamento?

Um estudo pioneiro comparou a eficácia e segurança dos medicamentos Bevacizumabe, Ranibizumabe e Aflibercept para o tratamento de edema macular diabético (EMD). Essa pesquisa foi publicada em 2015 no New England Journal of Medicine e divulgado no 19º Congresso da Sociedade Espanhola de Retina e Vitreous (SERV), ocorrida em Madri.

A pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos obteve como resultado que os 3 medicamentos antiangiogênicos demonstraram uma importante melhora da visão e no desaparecimento do edema da mácula.

O estudo também apontou a redução da necessidade do número de sessões de laser no controle do edema macular diabético, quando combinadas com agentes antiangiogênicos. Para os casos mais graves de perda da visão, melhores resultados são obtidos com o uso do Aflibercept.

Os resultados apontaram ainda, a importância de um tratamento intensivo no início, visando um melhor controle da doença. Outro aspecto observado foi a obtenção de resultados mais satisfatórios para tratamentos iniciados logo que a doença é identificada.

Ou seja, todos os medicamentos são eficazes e podem trazer ótimos resultados para os pacientes. Para escolher o ideal para o seu caso, é preciso contar com um médico de confiança que tenha experiência com injeção intravítrea. Ele irá realizar exames para verificar a saúde do seu olho, analisar a gravidade da doença e poderá definir se esse, realmente, é o tratamento mais adequado para você.

Quais as vantagens do procedimento?

A injeção intravítrea de antiangiogênico vem ganhando espaço entre os oftalmologistas retinólogos, por se apresentar como um tratamento eficaz, com diversas vantagens.

A retina é considerada uma parte do olho mais isolada e de difícil acesso pela sua posição dentro do globo ocular. Por isso, as medicações tópicas, como pomadas e colírios, ou sistêmicas (via oral) chegam em baixa concentração até a retina. A principal vantagem dessa injeção é que, por meio dela, o medicamento chega diretamente na cavidade intraocular, atuando com maior eficácia na área comprometida.

Outras vantagens que podemos citar:

  • o paciente vai para casa no mesmo dia em que é feito o procedimento, sem a necessidade de internação;
  • a recuperação é rápida e pouco incômoda;
  • pode ser realizada diversas vezes em um mesmo paciente, sem consequências negativas;
  • é rara a ocorrência de complicações.

A injeção intravítrea de antiangiogênico gera resultados eficazes e seguros e vem sendo essencial no combate à cegueira. Lembre-se que esse é um procedimento que só pode ser indicado e realizado por um retinólogo. Por isso, faça exames de rotina e, no caso de qualquer alteração da visão, consulte um oftalmologista com urgência.

Se você deseja saber mais sobre esse procedimento e quer entender melhor como ele é feito e suas indicações, conte conosco. Temos um time especializado no tratamento de doenças da retina e do olho de forma geral, e podemos auxiliar você a ter mais saúde ocular e evitar complicações de diversas doenças, como as citadas anteriormente.

Fale conosco para agendar uma consulta com um especialista, faça todos os exames necessários para um diagnóstico completo ou acompanhamento da patologia e converse com um médico com ampla experiência em injeção intravítrea sobre a possibilidade de realizar esse tratamento.

Prof. Dr. Alexandre Rosa

Dr. Alexandre Rosa possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA/1996) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP/2005). Especialista em doenças da retina e vítreo (retinólogo) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Atualmente, é médico preceptor da residência médica do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza, além de ser professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Compartilhar
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Receba nossos conteúdos exclusivos!
Assine a newsletter para se manter atualizado de todas as novidades


Skip to content