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Quais medicamentos provocam problemas na visão? Descubra aqui!

Quais medicamentos provocam problemas na visão? Descubra aqui!

Com o avanço da idade, é comum que a caixinha de remédios ganhe cada vez mais frascos e cartelas, utilizados para tratar diversos tipos de doenças. No entanto, quase todos esses medicamentos apresentam efeitos colaterais, podendo, inclusive, provocar alterações na visão em diferentes graus de gravidade.

Neste artigo, vamos comentar sobre os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos para visão, as alterações que eles podem provocar e o que pode ser feito para controlar ou evitar que isso ocorra. Continue a leitura para saber mais!

Por quais motivos os medicamentos podem provocar alterações na visão?

A ingestão de certos medicamentos pode aumentar a sensibilidade à luz solar, causando uma reação foto alérgica em algumas pessoas. Assim, elas ficam mais propensas a ter intolerância à luz e passam a absorver mais radiação.

A fototoxidade, como esse processo é chamado, atinge a mácula (na retina) e o cristalino, fazendo com que absorvam a radiação UV. Com o cristalino afetado, há uma perda de transparência que é uma característica da catarata.

Entretanto, é importante observar que um medicamento tomado hoje não vai provocar a doença na semana que vem. É um processo contínuo, no qual o medicamento tem um papel de acelerador, antecipando o aparecimento de doenças ao longo dos anos.

Quais os efeitos colaterais causados pelo uso de medicamentos?

Os tecidos oculares são fartamente vascularizados, com células muito sensíveis. Por esse motivo, eles são suscetíveis a qualquer disfunção que possa ocorrer no organismo, tanto por problemas de saúde como por efeitos de diferentes substâncias.

No caso dos medicamentos, eles podem provocar efeitos adversos quando agem de maneira sistêmica. Ou seja, quando utilizados para tratamento de doenças em partes do corpo, como o coração ou o sistema nervoso, mas podem causar dano secundariamente aos olhos.

Mesmo os medicamentos usados especificamente para os olhos — para o tratamento de doenças oculares — podem causar efeitos indesejados. A verdade é que esses efeitos são raros, sendo difícil prever a ocorrência desses danos.

Desse modo, o recomendado é procurar um oftalmologista assim que quaisquer sintomas diferentes surgirem. Também é fundamental fazer um acompanhamento regular da saúde dos olhos, principalmente por quem já realiza algum tipo de tratamento.

Em geral, os efeitos colaterais mais recorrentes são:

  • alteração na percepção espacial;
  • dificuldade de se acostumar com a mudança de iluminação;
  • hipersensibilidade à luz;
  • inchaço nas pálpebras;
  • lacrimejamento;
  • ressecamento dos olhos;
  • vermelhidão;
  • visão embaçada.

Quais doenças oculares podem ser provocadas por remédios?

Diversas doenças oculares podem surgir por conta do uso de medicamentos, provocando alterações da visão em pessoas de qualquer idade.

As doenças oculares que ocorrem com mais frequência devido aos efeitos colaterais são o glaucoma e a catarata. Falaremos sobre eles a seguir.

Glaucoma

O glaucoma é caracterizado pelo aumento gradual da pressão intraocular, que pode levar a danos irreversíveis na visão. Esse processo é assintomático durante muito tempo, o que prejudica seu diagnóstico precoce.

Alguns medicamentos, como ansiolíticos, anti-histamínicos e até anti-hipertensivos, podem provocar o aumento da pressão do olho. Eles podem agir de forma diferente de uma pessoa para outra, mas de qualquer modo, podem interferir na saúde ocular, originando ou agravando essa doença.

Os corticoides, em especial, são medicações muito úteis para o tratamento de uma grande quantidade de doenças, desde as alergias e doenças respiratórias até as alterações hematológicas, reumatológicas, gastroenterológicas e, inclusive, oftalmológicas, como a uveíte e ceratoconjuntivite.

As pessoas sensíveis à ação dos corticóides, tanto em forma de comprimidos quanto em pomadas, podem sofrer um aumento da pressão intraocular, que pode causar um dano ao nervo óptico em curto período ou de uma forma crônica.

Catarata

A catarata é uma das doenças oculares mais comuns. Em geral, surge espontaneamente com o passar do tempo, mas pode ser secundária ao uso de alguns medicamentos (tópicos ou sistêmicos), de tratamentos ou de cirurgias.

Trata-se de uma doença que opacifica o cristalino (estrutura parecida com uma lente, que permite a passagem de luz até a retina, onde é formada a visão). Quando ocorre de forma natural (sem ser um efeito colateral ou um sintoma), a catarata evolui lentamente, mas pode ser acelerada pelo uso de medicamentos, como corticóides, alguns antibióticos, antidepressivos, entre outros.

Quais medicamentos podem ocasionar problemas na visão?

Antes de tudo, é preciso lembrar que nem sempre esses efeitos adversos aparecem. Ou seja, não se pode deixar de tomar um medicamento por medo de ter problemas na visão ou em qualquer outra parte do corpo. Contudo, é sempre bom saber sobre esses sintomas, até para poder procurar um médico em caso do aparecimento dos quadros.

Veja, a seguir, as substâncias que mais causam efeitos colaterais.

Corticoides

Os corticoides são muito usados para o tratamento de inflamações em qualquer parte do corpo, inclusive dos olhos, em forma de colírios. O seu uso deve ser restrito, pois podem causar diversos efeitos colaterais a longo prazo.

Nos olhos, eles podem provocar catarata e glaucoma, sendo necessário que pessoas portadoras de doenças crônicas, como artrite reumatoide, asma e lúpus, façam o acompanhamento regular com um oftalmologista.

Outro problema que pode acontecer com o uso de corticoides é o desenvolvimento de uma doença chamada central serosa, que provoca um descolamento localizado da retina.

Antialérgicos

O uso de medicamentos antialérgicos conhecidos como anti-histamínicos pode provocar ressecamento nos olhos, que ocasionam coceira, vermelhidão e excesso de lacrimejamento.

Antibióticos

Em casos raros, esses medicamentos podem provocar a opacificação da córnea. Com o uso prolongado, os sintomas podem se agravar e levar a catarata. Entretanto, os efeitos colaterais dos antibióticos costumam cessar ao fim do tratamento.

Analgésicos

Alguns dos analgésicos mais usados para o tratamento de diferentes tipos de dor, como ácido acetilsalicílico e ibuprofeno, podem provocar visão desfocada ou dupla. Raramente, pode ocorrer uma contração da pupila, que dificulta a visão noturna.

Antidepressivos

Antidepressivos, como fluoxetina e citalopram, são os medicamentos relacionados à catarata e a outros problemas na retina. Isso porque aumentam a quantidade de serotonina no cérebro, que, por sua vez, pode aumentar a opacidade do cristalino.

Anti-hipertensivos

Os betabloqueadores, como o propranolol, são conhecidos por estimularem a formação de pequenas bolsas no cristalino que causa a opacidade característica da catarata. Já algumas substâncias usadas para o controle da arritmia podem se acumular na córnea, irritando os olhos e prejudicando a visão.

Anti-acne

O Roacutan, largamente utilizado para combater a acne, tem em sua composição a isotretinoína. Em casos raros, ela pode provocar um aumento da sensibilidade dos olhos à luz, provocando uma grande irritação. Isso causa riscos de toxicidade nos olhos e alterações no cristalino. Além de aumentar a chance de olho seco.

Anticoncepcional

Alguns tipos de pílulas anticoncepcionais podem causar o ressecamento dos olhos. Em geral, esses sintomas são aliviados com o uso de lágrimas artificiais. Há relatos também de quadros de trombose da veia retiniana secundária ao uso prolongado de anticoncepcionais. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista, para substituição do medicamento.

Antiarrítmicos

As drogas antiarrítmicas podem auxiliar pacientes que apresentam arritmia cardíaca. Entretanto, algumas fórmulas que contém a amiodarona causam microdepósitos na superfície da córnea. Normalmente, a visão não é muito prejudicada por esse problema, mas, em alguns casos, podem surgir anéis coloridos em torno das fontes de luz ou visão desfocada.

Quais são os principais medicamentos para visão?

Até mesmo os medicamentos oftalmológicos podem causar problemas na visão, como os midriáticos e os cicloplégicos que são utilizados frequentemente na dilatação da pupila para exames oftalmológicos específicos. As soluções medicamentosas dessa classe são Atropina, Ciclopentolato, Tropicamida e Homatropina.

Além desses medicamentos específicos, os colírios utilizados, muitas vezes pelo uso de forma indiscriminada, podem causar problemas, principalmente em situações de interações medicamentosas.

Exemplo disso é o uso de colírio betabloqueador, utilizado para o controle da pressão ocular, e os medicamentos broncodilatadores, que tratam problemas pulmonares. Essa combinação pode provocar falta de ar, levando a um quadro asmático

Há outros remédios que podem prejudicar a visão?

Embora sejam bastante raros, os medicamentos diuréticos, anticolinérgicos e antimaláricos (cloroquina) podem alterar a visão. Os sintomas também podem ser agravados com o uso de mais de um tipo de medicamento.

É importante observar que a maioria dos efeitos colaterais que atingem a visão cessam com a suspensão do uso dos medicamentos. Mesmo assim, é fundamental ficar atento a qualquer disfunção na visão. Peça sempre orientação do seu médico e faça um acompanhamento com um oftalmologista regularmente.

Como evitar que os medicamentos prejudiquem a visão?

Para evitar ou amenizar os efeitos negativos de medicamentos na visão, é fundamental conversar com o médico que indicou a medicação para verificar a possibilidade de substituição.

Além disso, é preciso também expor a situação ao oftalmologista e fazer exames periódicos da visão. Outro aspecto importante é evitar a automedicação, incluindo o uso de colírios.

Como vimos, muitos medicamentos necessários para o tratamento de diversas doenças podem prejudicar a visão. Nesse sentido, é importante reforçar a necessidade de discutir os sintomas com o médico e fazer exames de vistas periodicamente.

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Dra. Thais Mendes

Dra. Thais Mendes

Médica Oftalmologista; Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica; Aluna de pós-graduação/doutorado UNIFESP-EPM; Retina Research Fellowship (University of California San Francisco 2012-2014); Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Fellowship Clínico e Cirúrgico em Retina e Vítreo (Instituto Suel Abujamra 2009-2012); Fellowship de Ultrassom Ocular (Santa Casa de São Paulo 2011-2012).

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