Retinoblastoma: conheça o tumor ocular mais comum em crianças!

Retinoblastoma: conheça o tumor ocular mais comum em crianças

O retinoblastoma é o tipo de tumor ocular mais comum na infância, mas, apesar disso, não há muitos casos no mundo, o que torna essa doença rara. Esse fato contribui, e muito, para o conhecimento da população em relação a esta enfermidade.

Esse tumor desenvolve-se na retina (parte do olho responsável pela nossa visão) no momento de formação do feto, ou seja, na barriga da mãe. Ele pode ser hereditário (congênito) ou não hereditário (espontâneo) e afetar os dois olhos da criança ou apenas um deles.

Vale ressaltar que esse é um câncer bastante agressivo, podendo até levar o paciente à cegueira ou a óbito. O diagnóstico tardio, infelizmente, reduz consideravelmente as chances de cura. Mas a boa notícia é que, se descoberto e tratado precocemente, ele é altamente curável.

Recentemente, o apresentador Tiago Leifert usou suas redes sociais para compartilhar que sua filha de 1 ano e 3 meses está com esse tipo de câncer, o que aumentou consideravelmente as pesquisas e a preocupação sobre essa doença.

Nós acreditamos que a informação pode – literalmente, nesse caso – salvar vidas, e deve ser compartilhada com todos. Por isso, continue lendo esse artigo para saber mais sobre o que causa o retinoblastoma, os seus sintomas, suas formas de tratamento e mais!

O que é o retinoblastoma?

Antes de mais nada, é preciso compreender que os olhos começam o seu desenvolvimento durante a própria formação do feto. Durante essa primeira fase, eles passam por um processo de divisão celular que estrutura a retina.

Em condições de normalidade, o esperado é que, em um determinado estágio, a multiplicação das células embrionárias, chamadas de retinoblastos, seja interrompida. Quando isso não acontece, temos um retinoblastoma. Essa doença, então, ocorre quando o as células continuam se multiplicando de forma rápida e descontrolada, o que forma o tumor.

Em síntese, trata-se de um tumor ocular maligno (um câncer) desenvolvido a partir das células embrionárias da retina. Ele acomete a visão de crianças e pode se manifestar já no momento do nascimento, ou até os cinco anos de idade.

É importante frisar que o retinoblastoma não é a única doença ocular que pode afetar bebês ou crianças. Existem muitas outras enfermidades, como é o caso da retinopatia da prematuridade. Dê play no vídeo abaixo e saiba mais.

Quais são as causas?

A classificação do retinoblastoma divide-se em dois tipos: hereditário (congênito) ou não hereditário (espontâneo). Quando hereditário, ele pode ser unilateral ou bilateral — em outras palavras, pode acometer apenas um dos olhos (correspondente a 15% dos casos) ou os dois (25% dos casos). Já na forma espontânea, o tumor é sempre unilateral e representa cerca de 60% dos casos, de acordo com a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.

Saiba mais sobre cada um dos tipos.

Retinoblastoma hereditário

Essas são as situações em que o retinoblastoma decorre de mutação genética, afetando o gene RB1 no cromossomo 13. O principal fator apontado como de risco para o surgimento desse tipo de tumor ocular é o histórico familiar, quando há caso positivo na família (principalmente, nos pais).

Outra possível causa está relacionada à mutação desse gene durante o período de desenvolvimento do feto no útero, contudo, a origem dessa modificação genética ainda não está completamente esclarecida.

Retinoblastoma não hereditário

Até agora não foram desvendadas as razões do surgimento de retinoblastomas espontâneos (ou esporádicos). Foram levantadas algumas hipóteses — ainda não comprovadas, mas que estão sendo investigadas — para o aparecimento do tumor em sua forma unilateral não hereditária. Uma delas sugere uma relação com o vírus do HPV, que é a causa predominante do câncer de colo de útero.

Quais são os sintomas da reinoblastoma?

Como já falado, o diagnóstico precoce do retinoblastoma é indispensável para aumentar as chances de cura. Infelizmente, muitos pais não sabem quais são os sintomas da doença e acabam não dando a devida atenção ao caso.

O sinal mais aparente que indica a presença dessa doença é uma espécie de reflexo branco na pupila, análogo ao do olho do gato, conhecido como leucocoria. Esse sintoma se manifesta em 90% dos casos diagnosticados até hoje.

Esse reflexo esbranquiçado pode ser percebido sob incidência de luz artificial (com a pupila previamente dilatada) ou quando o flash de câmeras fotográficas e celulares atinge diretamente os olhos ao tirar uma foto. Se a visão do indivíduo está saudável, ou melhor, se não há presença de retinoblastoma, o reflexo que surge é vermelho, e não branco.

Há outros sinais e sintomas da doença?

Apesar da leucocoria ser comum e evidente, ela só aparece quando a doença já se encontra em estágio avançado de desenvolvimento, o que reduz consideravelmente as chances de recuperação do olho da criança. Por esse motivo, é preciso estar muito atento para perceber outros sinais.

De modo geral, os tumores internos causam algumas alterações na visão do paciente. Entre os principais pontos que devem ser avaliados, podemos citar:

  • redução da capacidade visual;
  • aparecimento de manchas ou flashes de luz;
  • ofuscamento ou embaçamento;
  • vermelhidão nos olhos;
  • não contração da pupila quando exposta à luz brilhante;
  • deformação do globo ocular;
  • dor nos olhos e
  • cores diferentes em cada íris.

Vale ressaltar que enquanto alguns sintomas desses são visíveis para os pais, como é o caso da vermelhidão e da mudança de cor, outros não são. Por isso, é importante avaliar o comportamento da criança e conversar com ela sobre a importância de relatar dor, mudanças na sua acuidade visual e outros sinais que apontam para o retinoblastoma.

O estrabismo também pode ser uma consequência desse tumor, apesar de isso ser raro. Essa condição é majoritariamente causada pela debilidade dos músculos que controlam a movimentação ocular, e pode ser percebida quando os dois olhos da pessoa não parecem seguir a mesma direção — o que a faz ser também nomeada de “olho preguiçoso”.

Esses sintomas são uma confirmação de câncer?

Todos os sintomas citados acima indicam que o seu filho precisa ir no oftalmologista o quanto antes para fazer a avaliação dos seus olhos, mas não confirmam, por si só, o retinoblastoma.

Muitas outras doenças, inclusive outros tipos de câncer ocular, apresentam os mesmos sinais. Por isso, é indispensável procurar um oftalmologista o quanto antes após identificar alguma anormalidade nos olhos ou na visão da criança.

Durante a consulta, o médico pedirá ou realizará exames para confirmar a doença. Normalmente, essa investigação envolve a ultrassonografia do olho, também chamada de ecografia. Saiba mais sobre esse procedimento no vídeo abaixo.

Além disso, também se pode realizar uma tomografia computadorizada para fazer o diagnóstico e, caso confirmado, um retinoblastoma para avaliar a sua seriedade. Dê play no vídeo abaixo e entenda mais sobre esse exame.

Como é feito o tratamento do retinoblastoma?

O tratamento do retinoblastoma é direcionado de acordo com a etapa em que se encontra o tumor. Quanto mais precocemente for obtido o diagnóstico, menos agressivo vai ser o tratamento, e melhores podem ser os resultados.

A intervenção médica é realizada por uma equipe multidisciplinar, composta por um oftalmologista pediátrico e um oncologista pediátrico, além de um grupo de profissionais especialistas em terapias oftálmicas.

As alternativas de tratamento para a doença consistem em:

  • quimioterapia sistêmica, periocular, intravítrea ou intra-arterial;
  • radioterapia externa (radiações ionizantes a longa distância);
  • radioterapia interna ou braquiterapia (radiações a curta distância);
  • termoterapia transpupilar (radiação infravermelha que aquece o tecido do tumor) e
  • enucleação (cirurgia para remoção do globo ocular).

O objetivo primordial é sempre a cura total e a preservação da integridade da visão e do globo ocular das crianças que estão sendo tratadas. Por isso, a enucleação é a última opção a ser cogitada. Além disso, graças aos avanços tecnológicos, as técnicas terapêuticas atuais têm alcançado índices de cura e boa recuperação cada vez mais altos.

Saiba mais sobre essa doença na nossa live completa sobre o tema, que contou com a presença da Dra. Thaís Mendes e dos doutores Edmundo Almeida e Renato Paláciosde, três dos nossos oftalmologistas. Dê play e confira.

Enfim, como vimos, o retinoblastoma é uma doença curável e o seu diagnóstico precoce é fundamental para a conquista de bons resultados. Portanto, vale ressaltar que os cuidados com a nossa saúde ocular desde o nascimento são realmente indispensáveis. Não dê chances para essa doença se instaurar — leve as crianças regularmente ao oftalmologista e mantenha os seus exames em dia!

Conte com a RetinaPro para isso. Somos uma clínica especializada na retina localizada em Belém. Entre em contato conosco e agende uma consulta com um especialista para garantir que está tudo bem com seu filho.

Se você gostou desse artigo e deseja saber mais sobre doença oculares e dicas para manter os olhos saudáveis em todas as faixas etárias, nos siga no Facebook, no YouTube e no Instagram.

Prof. Dr. Edmundo Almeida

Dr. Edmundo Almeida possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA/1976) e doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/1981). É pós-doutor pela Université Pierre et Marie Curie, de Paris (França). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Atualmente, é professor na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade do Estado do Pará (UEPA), e preceptor na residência médica em oftalmologia do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (UFPA).

Compartilhar
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Receba nossos conteúdos exclusivos!
Assine a newsletter para se manter atualizado de todas as novidades


Skip to content