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O que é a tecnologia assistiva e como ela auxilia o deficiente visual?

Você já ouviu falar em tecnologia assistiva? Essa área do conhecimento é de grande importância para garantir a inclusão social de pessoas com deficiência, visto que torna possível a melhoria de suas habilidades funcionais, ampliando, consequentemente, suas autonomias e qualidade de vida.

Vale compreender que a tecnologia está presente no cotidiano e facilitando as ações de todo mundo, mesmo de quem não tem nenhum tipo de necessidade especial. Em outras palavras, tudo aquilo de que dispomos para melhorar a nossa experiência no mundo pode ser considerado uma ferramenta tecnológica.

No entanto, quando falamos em tecnologia assistiva, buscamos englobar os recursos criados para assegurar o direito à acessibilidade — não só a lugares, mas também à comunicação e à aprendizagem — de pessoas com incapacidade, deficiência ou mobilidade reduzida.

Com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos, esse campo também envolve um completo e integrado sistema de serviços, isto é, conta com profissionais das mais variadas especialidades que ajudam na seleção, adaptação e uso dos instrumentos disponíveis.

Ficou interessado em saber mais? Neste post, vamos explicar o que é a tecnologia assistiva e como ela pode colaborar com o deficiente visual. E, para aqueles que gostam de algo mais “high tech”, vamos sugerir alguns aplicativos bem interessantes e, principalmente, inclusivos. Siga a leitura!

O que é a tecnologia assistiva e qual o seu principal objetivo?

O aparecimento do termo na legislação brasileira é um fato bastante novo (em torno dos anos 2000). Além de tecnologia assistiva, são também utilizadas expressões sinônimas como “tecnologias de apoio”, “tecnologias adaptativas” ou “ajudas técnicas”.

Em novembro de 2006 foi criado, no Brasil, um Comitê de Ajudas Técnicas, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que apresenta uma definição mais precisa para o conceito, bem como destaca os seus objetivos.

De maneira geral, podemos dizer que, apesar de ter sido cunhado há pouco tempo, o seu significado já é bastante conhecido por nós. Isso porque todos os produtos ou estratégias que são desenvolvidas com o intuito de contribuir para a inclusão social e acessibilidade das pessoas com deficiência estão englobadas no campo da tecnologia assistiva.

Dito de outra maneira, bengala, semáforo de trânsito sonoro, elevadores em ônibus, óculos de grau, rampas de acesso ou qualquer outro objeto desenvolvido ou adaptado para melhorar as capacidades funcionais e a qualidade de vida de quem tem necessidades especiais podem ser considerados tecnologias de apoio.

É importante dizer que essa é uma área do conhecimento de natureza interdisciplinar, isto é, conta com um sistema abrangente e complexo de recursos e serviços. Sendo os recursos os próprios itens, produtos ou equipamentos criados, e os serviços aqueles que são prestados por profissionais especializados que visam garantir, justamente, o aproveitamento desses recursos.

Os profissionais acima citados são de áreas bastante diversas — médicos, enfermeiros, psicólogos, arquitetos, engenheiros, designers, educadores, terapeutas ocupacionais, oftalmologistas, entre outros técnicos — que trabalham, via de regra, em equipe e de modo integrado.

De forma a enfatizar, o principal objetivo da tecnologia assistiva é propiciar maior autonomia de comunicação, locomoção ou aprendizagem às pessoas com deficiência, por meio do controle do ambiente, fortalecimento de suas habilidades, garantia de acessibilidade e integração social.

Como os aplicativos podem ajudar o deficiente visual e quais são eles?

Ainda que muitas pessoas possuam receio da palavra “tecnologia”, já foi dito que, na maioria das vezes, as ferramentas tecnológicas assistivas são coisas bastante simples e que já fazem parte do cotidiano da pessoa com deficiência.

Por outro lado, é notável que o surgimento da internet fez com que houvesse um forte avanço na configuração desses instrumentos. O mais interessante é que, em razão de toda essa modernização tecnológica, tem muita coisa sendo criada com a finalidade de promover a inclusão.

Para os deficientes visuais — grupo altamente prejudicado no acesso à web — os aplicativos, ou plataformas, baseados no princípio da tecnologia assistiva são particularmente benéficos. A audiodescrição é uma grande aliada e faz parte de vários desses aplicativos de suporte. Que tal conhecer alguns deles? Vamos lá!

BeMyEyes

Disponível para Android e iOS, o BeMyEyes é um dos aplicativos desenvolvidos para pessoas com deficiência visual mais famosos. Seu funcionamento é colaborativo, ou seja, ele cria uma espécie de “rede de apoio” entre aqueles que enxergam e aqueles que possuem visão comprometida (ou mesmo cegueira).

O princípio é bem simples e muito criativo: quando estiver em uma situação em que precisa efetuar uma leitura, de uma embalagem no supermercado, por exemplo, o deficiente visual aciona o app que, por meio de uma videochamada, vai conectá-lo imediatamente com um voluntário que descreve e lê aquilo que aparece na imagem.

Google BrailleBack

O Google BrailleBack, por ter sido desenvolvido pela Google, está disponível apenas para Android. Ele é um serviço de acessibilidade e sua intenção é possibilitar à pessoa com deficiência visual a compreensão dos elementos da tela de seu celular, por meio de falas ou braile.

Assim, a experiência de navegação acontece por falas geradas pelo app, que guiam o usuário até o ícone desejado, e pela utilização do teclado em braile, que também permite uma maior interação.

Eye-D

Esse aplicativo está disponível para Android e iOS e, ao contrário dos outros que foram apresentados, seu intuito não é propiciar melhor acesso à internet e sim facilitar a locomoção de seus usuários com deficiência visual, pois permite a identificação de sua localidade atual, bem como dos arredores.

O usuário consegue obter informações de pontos importantes — como escolas, hospitais, bancos etc. — que estão próximos. Além disso, o deficiente visual também consegue, com a própria câmera do seu celular, a leitura dos textos que encontra pelo caminho.

Essas são só algumas das opções de aplicativos construídos com o fim de promover a inclusão social, maior acessibilidade e melhoria na qualidade de vida das pessoas com deficiência visual e, por isso, podem ser considerados exemplos concretos de tecnologia assistiva criativa e inovadora.

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

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