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Degeneração Macular tem cura?

Degeneração Macular tem cura?

Entre as enfermidades associadas ao envelhecimento, destacam-se as oftalmológicas. A degeneração macular é uma alteração muito comum em pessoas com mais de 55 anos, sendo a causa mais frequente de baixa acuidade visual nessa faixa etária.

A doença prejudica tanto a visão de perto quanto a de longe, levando à limitação motora e elevando as ocorrências de acidentes e dependência física ou mental. Todos esses fatores aumentam o risco de morbidade e de mortalidade.

Para um melhor entendimento sobre essa forma de degeneração, abordamos neste artigo os principais aspectos da degeneração macular, tratamentos e formas de prevenção. Boa leitura!

Por que é uma doença importante?

A perda de autonomia causada pela diminuição da visão elevou nos Estados Unidos, de forma indireta, em 90% os gastos médicos com idosos, muitas vezes pela necessidade de internação em casas de repouso.

De acordo com pesquisa da Unicamp, no Brasil, mais de 3 milhões de pessoas convivem com a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) — número que tende a crescer com o envelhecimento da população.

Segundo dados do IBGE, dos 184 milhões de habitantes do País, 36 milhões estão na faixa de idade superior aos 55 anos. Em 2036, o total de idosos deve superar o de crianças e estima-se que a incidência da DMRI no mundo será três vezes maior em 2025.

Nesse sentido, a degeneração macular deve ser estudada e tratada devido ao aumento da sobrevida da população idosa, especialmente das mulheres.

O que é degeneração macular?

Em geral, essa doença afeta pessoas com mais de 55 anos, comprometendo fortemente a visão central. É a principal causa de perda irreversível da visão no mundo ocidental.

A mácula é uma pequena região no centro da retina, responsável pela percepção de detalhes, sendo essencial para a leitura, reconhecimento de rostos e identificação de cores.

As células sensíveis à luz, conhecidas como fotorreceptores, são responsáveis por converter os raios luminosos em impulsos elétricos e transportá-los até o cérebro através do nervo óptico.

A perda da visão central na DMRI ocorre quando essas células se degeneram. Com esse processo, a visão fica borrada ou distorcida, além de causar a percepção de uma mancha escura na visão central.

Nos estágios iniciais, a DMRI não apresenta sintomas, porém, em alguns casos, pode surgir um embaçamento na visão central, especialmente durante as tarefas de costura e leitura, por exemplo. Por se tratar de uma alteração lenta e progressiva, muitas pessoas convivem com a doença por vários anos sem perceberem.

Quais são os tipos de degeneração?

Em geral, quando um olho é afetado pela DMRI, há uma tendência para o desenvolvimento da doença no outro olho. A extensão da perda da visão central varia de acordo com o tipo de DMRI (seca ou úmida) e da agilidade para o diagnóstico e início do tratamento.

Degeneração macular seca (atrófica)

É a forma mais comum, correspondendo a 90% de todos os casos de DMRI, mas menos grave em comparação com a forma úmida. É causada pelo envelhecimento natural dos tecidos presentes na mácula, provocando uma perda progressiva da visão central.

A atrofia geográfica é o estágio mais avançado desse tipo e seu nome é decorrente da lesão bem delimitada da retina central secundária a uma atrofia do epitélio pigmentar.

Uma das principais características da degeneração seca é a formação de drusas, que consiste no acúmulo de proteínas e gorduras, provenientes do metabolismo, nas células sob a retina. Não se sabe exatamente como essas drusas são formadas. Elas prejudicam a saúde da retina, provocando perda gradual da visão com a degeneração progressiva das células fotorreceptoras.

Com o avanço da idade, a pessoa pode apresentar piora progressiva da visão. No entanto, acredita-se que, quando o paciente apresenta drusas maiores, a probabilidade de evolução da forma seca para a úmida aumenta.

Uma pessoa pode conviver com a DMRI seca por muitos anos, até sem saber que está com o problema. Inclusive, pode não aparecer alteração de um exame de rotina para outro.

Por esse motivo, em caso de alteração da visão, o oftalmologista deve ser consultado prontamente, já que a DMRI seca pode induzir à degeneração macular úmida.

Degeneração macular úmida (exsudativa)

Menos comum, essa alteração atinge aproximadamente 10% dos casos. No entanto, é o tipo mais agressivo: 88% dos casos de cegueira legal — quando a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 — atribuídos à DMRI resultam dessa forma da doença.

Essa alteração também é denominada “forma neovascular”, pois nesse caso ocorre o crescimento de vasos anômalos embaixo da retina. Esses vasos são chamados de neovascularização subretiniana ou neovascularização de coroide.

Quando há o vazamento de fluidos ou sangue por esses vasos sanguíneos anormais, ocorre uma turvação da visão central que pode evoluir rapidamente e provocar a perda significativa da capacidade visual.

A perda da visão ocasionada por esse tipo de degeneração macular pode ocorrer de forma mais rápida e perceptível do que a causada pela DMRI seca. Quando há um crescimento anormal dos vasos sanguíneos em um olho, também existe uma grande probabilidade de ocorrência no outro.

Nos estágios finais, é possível ocorrer a formação de um tecido cicatricial no local onde havia os vasos anômalos, ocasionando uma mancha irreversível que impede a visão. Por isso, é de fundamental importância procurar um médico imediatamente ao perceber qualquer alteração visual.

Também é imprescindível realizar exames anuais de prevenção com um oftalmologista, a partir dos 40 anos, sobretudo quando houver histórico de degeneração macular na família.

Infográfico - Degeneração Macular

Infografico sobre degeneração macular, clique para baixar.

Quais são os fatores de risco para a degeneração?

A população mais acometida pela DMRI é a idosa, tendo a gravidade uma forte relação com o avanço da idade. Nos Estados Unidos, 0,4% da população, na faixa dos 50 aos 55 anos, é acometida pela doença, chegando a 3,1% na faixa dos 75 aos 79 anos e 11,7% na população maior de 80 anos.

Os principais fatores de risco são:

  • gênero feminino;
  • consumo de bebida alcoólica;
  • cor clara da íris;
  • consumo de grandes quantidades de gorduras;
  • dietas pobres em frutas e verduras;
  • exposição ao sol sem proteção ocular;
  • hipertensão arterial;
  • idade;
  • obesidade;
  • raça branca;
  • tabagismo — duplica a probabilidade de desenvolver DMRI e triplica em relação a forma úmida da doença.

Quais são os sintomas?

Inicialmente, os sintomas da DMRI são discretos e imperceptíveis. Em alguns pacientes, pode ocorrer de apenas um dos olhos ser afetado e o outro permanecer intacto por vários anos. Os principais sintomas são:

  • percepção de manchas escuras na região central da visão;
  • visão alterada de linhas retas, que aparecem retorcidas ou onduladas;
  • identificação de cores de forma mais opaca;
  • necessidade de luz mais forte para a leitura e localização de objetos.

Como é feito o diagnóstico?

O retinólogo desempenha um importante papel na identificação da doença. O diagnóstico pode ser feito durante uma consulta por meio do mapeamento de retina. Entretanto, para alguns casos, pode ser necessário realizar exames complementares como os que detalhamos a seguir.

Angiografia fluorescente ou Angiofluoresceinografia

Nesse exame, é utilizado um tipo de corante (fluoresceína), administrado por via oral ou endovenosa. O contraste circula por todos os vasos da retina e coroide (camada vascular atrás da retina) e possibilita obter imagens digitais do fluxo vascular.

Essas imagens mostram se há algum tipo de anomalia nos vasos sanguíneos sob a retina, como a presença de vazamentos do contraste ou perda de tecido retiniano secundário à degeneração.

Tomografia de Coerência Óptica (OCT)

O OCT é um exame não invasivo, que possui o mesmo princípio do ultrassom, porém, em vez de utilizar o som, utiliza a luz (laser) para captar imagens transversais da retina como um corte de histologia. Dessa forma, todas as camadas da retina e coroide podem ser avaliadas.

A tomografia identifica se há algum tipo de inchaço, espessamento, afinamentos da retina ou inflamações.

OCT Angiography (OCT-A)

A angiotomografia de retina é um exame inovador de imagem que permite a avaliação do fluxo dos vasos sanguíneos da retina, mácula e nervo óptico. Além de não ser invasiva, não exige o uso de contraste

Tela de Amsler

Trata-se de uma imagem com linhas paralelas e pretas, com um círculo central. É um teste bem simples que pode ser feito pelo próprio paciente em casa. Mesmo pessoas idosas que ainda não desenvolveram a doença devem fazer o teste regularmente.

TEL DE AMSLER

Foto de uma tela de Amsler.

Se houver a percepção de qualquer distorção nas linhas, o paciente deve entrar em contato com o oftalmologista para uma avaliação precisa da saúde ocular.

Amsler anormal

Percepção de distorção das formas (metamorfopsia) na tela de Amsler.

Tela de Amsler Alterada

Distorção da imagem percebida em pacientes com DMRI.

Quais são os tratamentos?

Os tratamentos para a degeneração macular não são curativos, pois não promovem a regeneração da retina. O objetivo principal é o retardo na progressão da doença. Nesse sentido, a prevenção pode ser satisfatória, porém os tratamentos disponíveis ainda não são eficazes para os estágios mais avançados da doença.

Dependendo do grau de degeneração macular que o paciente apresentar, podem ser administrados complexos vitamínicos ou medicamentos. A seguir, veja as principais formas de tratamento de acordo com o tipo de degeneração macular.

Degeneração macular seca

Não há um tratamento efetivo para esse tipo de alteração, mas a administração de minerais e vitaminas antioxidantes ajuda a retardar ou até mesmo impedir a progressão da doença.

Nesse sentido, uma pesquisa realizada pelo National Eye Institute (EUA) demonstrou que a ingestão desses suplementos ajuda a reduzir o risco dessa forma de degeneração. Segundo o estudo, boas quantidades de zinco e antioxidantes na dieta podem contribuir com uma redução de 25% na progressão da doença.

Os pesquisadores constataram ainda que a maioria dos participantes que ingeriam mais vegetais e menos gordura animal não desenvolviam a DMRI. Também foi demonstrado que outras substâncias, como ômega 3 e carotenoides, contribuem para a saúde da visão.

Estudos mais recentes vêm demostrando que as vitaminas C, E, luteína e zeaxantina, além do zinco e do cobre, podem diminuir o risco de perda de visão em alguns portadores de DRMI seca, em estágio intermediário ou avançado.

Além dos suplementos, é recomendada a ingestão de frutas, vegetais e outros alimentos que ajudam a preservar a integridade da mácula e a saúde dos olhos de modo geral, tanto por pacientes com a DMRI quanto por pessoas que ainda não apresentam a alteração ocular.

Degeneração macular úmida

O tratamento é à base de medicamentos antiangiogênicos, aplicados via intraocular. O ranibizumabe (lucentis) e o aflibercepte (eylia) são os mais recomendados, já que podem reduzir a perda visual em 50%; no entanto, o tratamento é individualizado. Apenas o retinólogo pode definir qual a melhor medicação para cada caso.

Tratamento com auxílios ópticos

Feito por um oftalmologista com treinamento em visão subnormal, há a prescrição de dispositivos ópticos específicos que minimizam o problema e ajudam os pacientes a lidar com a deficiência da visão central.

Os recursos indicados são diversos, como óculos, lupas para suporte na leitura e telas que aumentam as letras no computador. Também podem ser utilizadas tecnologias mais modernas, com softwares que fazem a leitura de textos e os transformam em voz. Um especialista pode, ainda, ajudar na adaptação das tarefas diárias do paciente.

Tratamentos experimentais

Existem diversas investigações sobre o uso de outros medicamentos para o tratamento da degeneração macular. Entre eles, um grupo utilizado para o colesterol, conhecido como estatinas. Apesar de a maioria funcionar em caráter experimental, os resultados se mostraram promissores.

Na França, desde 2015 as estatinas são reconhecidas como um tratamento para a degeneração macular. Inclusive, o tratamento já é custeado pelo governo do país. Em 2016, uma equipe de pesquisadores americanos e gregos conseguiu uma melhoria de 40% na visão de pacientes com DMRI que consumiram doses altas de atorvastatina.

Cirurgia de catarata em pacientes com DMRI

Na literatura médica, há evidências de que pessoas com doenças degenerativas da retina desenvolvem catarata com maior frequência que o restante da população.

Para que serve o procedimento?

É possível que a cirurgia de catarata em pacientes que apresentam DMRI beneficie a visão, porém esse é um assunto controverso, já que o procedimento expõe os olhos à luz intensa do microscópio. Nesse sentido, quanto menor o tempo de duração da cirurgia e de exposição à luz, menor o potencial negativo pós-operatório em relação à evolução da DMRI.

Como a cirurgia pode auxiliar no tratamento?

O procedimento pode contribuir para uma melhoria na qualidade da visão pela remoção de uma das causas da baixa visão — a catarata. Mas a decisão de realizar a cirurgia depende de um acompanhamento da evolução da doença.

Quem pode realizar a cirurgia?

A extensão do dano à retina provocado pela degeneração influencia na decisão de operar a catarata. O oftalmologista efetua uma avaliação considerando os benefícios que a visão terá após a cirurgia e avalia os riscos.

Dessa forma, os pacientes com doença degenerativa da retina devem discutir com o médico especialista os benefícios e os riscos potenciais.

É possível reduzir os riscos da cirurgia de catarata?

A cirurgia deve ser realizada por um profissional com experiência em cirurgia de catarata. É fundamental, também, tratar o paciente preventivamente contra inflamação ocular antes e após a cirurgia.

 

Como prevenir a degeneração macular?

Embora a DMRI seja uma doença que ocorre com o processo natural do envelhecimento, não significa que ela não possa ser prevenida. Diversas pesquisas já demonstraram que a adoção de hábitos saudáveis ajuda a reduzir os riscos de desenvolver a doença.

Confira algumas atitudes que auxiliam a preservar a mácula e a retina em todas as idades:

  • faça um controle constante do peso e, se necessário, procure ajuda de um nutricionista para emagrecer;
  • use óculos de sol para proteger os olhos contra os raios solares;
  • consuma alimentos saudáveis, como peixes, leguminosas, frutas frescas e secas, verduras e folhas verdes, que são ricos em antioxidantes e outras substâncias que retardam o envelhecimento;
  • controle os níveis da pressão arterial e do colesterol com o acompanhamento de um médico;
  • não fume e evite o consumo de bebidas alcoólicas.

Entretanto, devemos lembrar que cada organismo possui necessidades nutricionais específicas. Assim, além de seguir essas recomendações, é bom procurar um nutricionista para descobrir qual é o melhor regime alimentar a ser adotado. Tanto o hábito de fazer dietas sem a orientação de um especialista quanto a automedicação são atitudes perigosas que podem provocar graves problemas de saúde.

Além da adoção de hábitos saudáveis, é fundamental conhecer o seu histórico familiar, pois ter alguém com DMRI na família aumenta a probabilidade de adquirir a doença. Em 2005, foi descoberto um gene específico que pode estar relacionado a quase 50% das ocorrências de degeneração macular, chamado de Fator de Complemento H (CFH). Outros genes também parecem estar ligados a alguns casos da doença em menores proporções.

Dessa forma, é muito importante procurar um oftalmologista para fazer exames preventivos anualmente e seguir todas as recomendações do médico. Como já mencionado, a doença pode ser evitada e, se não for devidamente tratada, pode evoluir para um estágio avançado.

Conforme pudemos observar, a degeneração macular tem uma forte relação com o avanço da idade e, se não tratada, pode comprometer seriamente a qualidade de vida. Dessa forma, é imprescindível adotar hábitos saudáveis e efetuar consultas e exames regulares com um médico retinólogo, a fim de detectar as lesões de forma precoce e iniciar o tratamento o mais breve possível.

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

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