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Central Serosa: a doença na retina causada pelo estresse!

Simulação da visão de um paciente portador de central serosa

Coroidopatia Central Serosa, também chamada de Retinopatia Serosa Central ou apenas Central Serosa ocorre quando a visão de um ou dos dois olhos começa a ficar embaçada ou distorcida e surgem manchas acinzentadas na região central da visão (como na foto que ilustra esse post).

Sem ter ideia do que pode estar acontecendo, você vai a uma consulta com o médico oftalmologista e, após exames variados, recebe o diagnóstico: Central Serosa, uma doença na retina que pode ser causada pelo estresse.

Mas afinal, o que é essa doença ocular?

Continue a leitura e entenda!

Entenda o que é a Central Serosa

Não se sabe ao certo como a doença se origina, mas ela está ligada à quadros de estresse. As pessoas mais acometidas são aquelas ansiosas, com senso de urgência e competitividade.

A maioria dos pacientes com Central Serosa tem entre 25 e 45 anos. Acomete mais os homens, representando mais de 85% dos casos — o que não significa que não possa afetar mulheres também. É comum, também, ocorrer a recorrência da doença durante a vida do paciente.

A queixa mais comum da doença é a percepção de uma mancha escura no centro da visão.

Simulação da visão de um paciente portador de central serosa

Aspecto da visão de um paciente com central serosa.

Como surge a doença

A doença está associada a um aumento dos níveis de um hormônio chamado cortisol, que pode acontecer por estresse, em associação à gastrite por H. pilory, apnéia do sono e uso de medicamentos que contém corticosteróides (pomadas, comprimidos, inaladores,  ou infiltrações).

A mácula é uma região importante da retina, responsável pela visão central, nítida de detalhes e cores.

A doença provoca um descolamento seroso de retina na região da mácula, causado por uma espécie de vazamento de líquido dos vasos sanguíneos que estão com a permeabilidade alterada pela doença.

Imagem de um exame de retina, onde podemos delimitar a área com o descolamento da retina pelo acúmulo de líquido embaixo da mesma.

Imagem de um exame de retina, onde podemos delimitar a área, setas amarelas, com o descolamento da retina pelo acúmulo de líquido embaixo da mesma.

Com o vazamento desses líquidos, surgem “bolhas” responsáveis por elevar as camadas da retina e provocar o deslocamento do foco da região central — local em que está localizada a mácula. Por conta disso, surgem os sintomas descritos no início desse texto, além de outros.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da geralmente se inicia com a realização de um exame de mapeamento de retina. Em seguida, a confirmação diagnóstico é realizada com a tomografia de coerência óptica.

 

Imagem de uma tomografia (OCT) de retina mostrando a presença de líquido embaixo da retina, característico da doença

Imagem de uma tomografia (OCT) de retina mostrando a presença de líquido embaixo da retina, característico da doença.

 

Outro exame bastante específico para o diagnóstico da doença é a angiofluoresceinografia, que vai evidenciar os pontos fluorescentes em que há o vazamento de fluido. Este exame é primordial para que seja planejado o tratamento da doença.

 

Imagem de um exame de angiofluorescenografia. O corante esta circulando dentro dos vasos da retina. Podemos observar um ponto de vazamento (seta) que corresponde ao local a ser tratado pelo laser.

Imagem de um exame de angiofluorescenografia. O corante esta circulando dentro dos vasos da retina. Podemos observar um ponto de vazamento (seta) que corresponde ao local a ser tratado pelo laser.

 

Existe cura para a Coroidopatia Central Serosa?

Geralmente, essa doença ocular tende a desaparecer naturalmente após três ou quatro meses, sem deixar sequelas no paciente. No entanto, em 5% dos casos, pode evoluir para perda severa e permanente da visão central. Para evitar que isso ocorra, é necessário fazer tratamento adequado.

Pacientes que já tiveram episódio anterior há menos de três meses ou em dois meses não tiveram resolução também deve tratar.

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Quais são os tipos de tratamento?

Apenas um médico oftalmologista ou retinólogo poderá concluir se você precisará de tratamento. Nos casos agudos, a fotocoagulação a laser é o tratamento de escolha para a doença.

Nos casos, onde a doença é crônica (acima de 6 meses) existem diversas modalidades de tratamento:

  • Terapia fotodinâmica com Verteporfirina (PDT)

    Esse tipo de tratamento tem como princípio a diminuição da permeabilidade coroideana, uma das causas fisiopatológicas da Coroidopatia Serosa Central, por onde há um vazamento de fluido.

    Para fazer a Terapia fotodinâmica com Verteporfirina (PDT) é necessário utilizar um remédio fotossensível, chamado Verteporfirina. Esse medicamento é injetado na veia do braço do paciente, vai circular por todo o corpo e chegar até o olho. Então, é feita sua estimulação por laser, ativando o remédio.

    Na coroide ele age causando uma diminuição da vasodilatação coroideana, levando a uma diminuição de permeabilidade e do vazamento de líquido. A Verteporfirina foi originalmente desenvolvida para tratar a Membrana Neovascular Coroide, mas diversos estudos demonstram que existe benefício do seu uso no tratamento na Coroidopatia Serosa Central, sobretudo as formas crônicas.

  • Fotocoagulação a laser (laser subliminar ou micropulsado)

    O tratamento com laser focal subliminar ou micropulsado é utilizado para selar pontos de vazamento de líquido ou atua estimulando as células do Epitélio Pigmentado da Retina.

    Esse tratamento tem como característica não produzir marcas nem nos exames. A área tratada é determinada pelo exame de angiofluoresceinografia. Os principais riscos dessa terapêutica é a expansão da cicatriz para a fóvea, levando a escotomas centrais.

  • Uso de antagonistas de mineralocorticoides

    Mineralocorticoides são hormônios produzidos pela glândula adrenal do nosso organismo, como a aldosterona e o cortisol, que, como já foi dito, está diretamente ligado ao estresse e à Coroidopatia Serosa Central.

    O cortisol provoca uma vasodilatação coroideana, levando à congestão e extravasamento de líquido. Isso acontece devido a uma ativação exagerada dos receptores de mineralocorticoides presentes nos vasos da coroide ativados principalmente pela aldosterona e por cortisol.

    Como fármacos antagonistas dos mineralocorticoides, podemos citar a espironolactona. Eles atuam bloqueando esses receptores e consequentemente diminuem a vasodilatação coroideana, melhorando o quadro da doença.

    Ao usar estes remédios, deve-se atentar à monitorização dos níveis de potássio.

    Outras opções terapêuticas

    • A finasterida tem uma indicação relativa no tratamento da doença e se mostrou uma opção eficaz e segura no tratamento de pacientes com coroidopatia serosa central.
    • A melatonina, um hormônio produzido pela glândula pineal relacionado ao sono, se mostrou eficaz com relação ao ganho de visão no tratamento de Coroidopatia Serosa Persistente e recorrente.
    • O tratamento da bactéria H. pilory em pacientes com Coroidopatia Serosa Persistente ou recorrente também parece ter papel importante no tratameto.

A prevenção do estresse também é indicada para quem tem ou teve Coroidopatia Central Serosa. Evite situações e ambientes estressantes e procure realizar atividades que promovam o relaxamento.

Caso você desconfie que está com a doença ou já tenha o diagnóstico e precise de tratamento, procure um médico oftalmologista o quanto antes. Somente ele poderá orientar você sobre esse tipo de doença ocular.

Agora que você já sabe reconhecer os sintomas da Coroidopatia Central Serosa, quer saber mais sobre doenças oculares e bem-estar? Cadastre o seu e-mail na assinatura da newsletter em nosso blog e receba as principais informações sobre as doenças oculares!

Fizemos uma live super interessante sobre o tema, confira abaixo:

 

 

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

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