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Fotofobia: você sabe o que é?

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Saber o que é fotofobia é importante para entender o que, de fato, esse termo significa, já que ele pode ser confundido com fobias relacionadas a diferentes situações, como hidrofobia (medo de água), claustrofobia (medo de espaços pequenos e fechados), entre outras.

Essa denominação identifica o incômodo que as pessoas sentem com a incidência de luz (claridade) nos olhos. É uma sensação constante e anormal (exacerbada) em relação ao que outros indivíduos sentem quando saem de um lugar mais escuro para outro mais claro.

Para um melhor entendimento sobre a fotofobia, elaboramos este artigo para explicar o que é esse desconforto visual, suas principais causas, sintomas e tratamentos. Acompanhe para saber mais!

O que é fotofobia?

A fotofobia não é uma doença em si, mas um sintoma de possíveis alterações na saúde, que podem ter, ou não, uma relação direta com os olhos.

Ela pode ser identificada quando a pessoa apresenta dificuldade para enxergar normalmente na presença de luminosidade. Inclusive, esse incômodo pode chegar ao extremo, gerando aversão a ambientes claros.

Trata-se de uma alta sensibilidade, que pode provocar ardência, vermelhidão nos olhos, ofuscamento visual e/ou lacrimejamento. Em geral, essa condição não gera danos aos olhos, nem evolui para uma enfermidade visual. Ela pode ser crônica ou temporária e experimentada de diferentes formas.

Tipos de fotofobia

A fotofobia pode ser classificada como crônica ou aguda. No primeiro caso, o paciente é afetado por um tempo prolongado, o que pode ocorrer devido a alguma doença ou por uma condição natural, como por exemplo, quando a pessoa tem olhos claros.

Ela pode ser amenizada, porém, não tem cura.

Já a forma aguda indica que a pessoa apresenta alguma patologia e pode ser resolvida quando a origem do problema é tratada.

Quais as principais causas?

A fotofobia pode se apresentar como sintoma de distúrbios oculares ou de doenças não relacionadas às alterações nos olhos. Veja, a seguir, as principais causas.

Alterações oculares

Diferentes problemas oculares podem causar a fotossensibilidade, como:

  • astigmatismo — a fotofobia é o principal sintoma dessa alteração na visão;
  • blefaroespasmo — distúrbio que faz a pálpebra contrair de forma involuntária, fazendo com que o paciente pisque sem parar;
  • catarata;
  • glaucoma — aumento da pressão ocular;
  • inflamações nos olhos — ceratite, uveíte, blefarite, irite e conjuntivite, esclerite; episclerite;
  • síndrome do olho seco — quantidade insuficiente de lubrificação.

Em alguns casos, ela surge em decorrência de fatores congênitos, como a ausência de pigmento no fundo dos olhos (albinismo ocular).

Pessoas que têm os olhos de cor clara (azul, verde e outras) também podem ter sintomas de aversão à luminosidade, uma vez que as camadas do olho de tons mais claros absorvem menor quantidade de luz.

Transtornos psiquiátricos

Fatores como depressão, instabilidade de humor, síndrome do pânico, ansiedade e alteração afetiva sazonal podem desencadear a fotofobia.

Doenças e alterações no cérebro

Doenças infecciosas, como meningite, assim como as isquemias, o acidente vascular cerebral (AVC) e outras que alteram o funcionamento do cérebro também provocam a fotossensibilidade.

Uso de drogas

Algumas drogas, como a cocaína, anfetaminas, entre outras do gênero, podem causar a fotofobia ou exacerbar os sintomas, pois provocam uma dilatação da pupila (midríase). Dessa forma, uma maior quantidade de luz “entra” no olho, deixando-o mais sensível.

Medicamentos

Assim como as drogas, alguns medicamentos, como analgésicos, anticonvulsivantes, anti-histamínicos e colírios, também provocam a dilatação da pupila.

A fotofobia pode ocorrer, ainda, sem estar associada a alguma doença e em pessoas de qualquer idade.

Quais são os sintomas?

Não é apenas a luminosidade do sol que causa o desconforto — as luzes fluorescentes ou incandescentes também podem provocá-lo. Em geral, as mais fortes e brilhantes são as que mais incomodam, entretanto, alguns indivíduos podem ficar extremamente desconfortáveis em ambientes com iluminação mais fraca.

Além da dificuldade em enxergar por causa do aumento da sensibilidade, os olhos podem ficar avermelhados, a visão turva, ou podem, ainda, surgir dores na cabeça e região ocular (comum em enxaquecas).

É importante observar que é totalmente normal a reação de fechar os olhos quando a pessoa está em um ambiente escuro e de repente alguém acende a luz, ficando impossibilitada de enxergar por conta do incômodo.

Entretanto, quando essa sensibilidade ocorre ao assistir à televisão ou no uso do celular, isso pode ser um problema que precisa ser investigado por um oftalmologista.

Quais os tratamentos adotados?

Não existe um tratamento específico para eliminar a fotofobia. Também não podemos falar em cura, pois, conforme já comentamos, ela não é considerada uma doença.

A melhor forma de lidar com essa disfunção visual é conhecer as suas causas e os fatores que mais predispõem ao seu aparecimento, procurando administrá-los com as medidas possíveis.

Nesse sentido, quando uma pessoa tem sintomas de fotofobia, ela deve consultar um oftalmologista, já que o passo mais importante para combater o problema é identificar e tratar a causa.

Algumas formas de tratar e amenizar os sintomas da fotofobia que se aplicam aos casos mais comuns são os cuidados com a proteção dos olhos, conforme comentamos a seguir.

Proteção com óculos

Proteger os olhos com óculos de sol é muito importante para reduzir a sensibilidade em ambientes externos.

Uso de lentes especiais

As lentes fotossensíveis são interessantes, pois se adaptam ao ambiente — escurecem e clareiam automaticamente. As fotocromáticas, utilizadas em óculos escuros, bloqueiam o azul e o vermelho, contribuindo para reduzir a sensibilidade, sendo eficazes também em dias nublados.

Já as lentes de contato estéticas (coloridas) ajudam a reduzir a quantidade de luz que entra nos olhos. Pode ser uma solução para os pacientes com olhos claros, já que aliviam os sintomas da fotofobia. Mas só devem ser utilizadas por indicação do oftalmologista.

Outra medida a ser tomada é não evitar a claridade, pois ficar muito tempo em ambiente escuro pode piorar a fotossensibilidade. Contudo, é importante aumentar a tolerância aos poucos.

Lubrificação dos olhos

Os olhos precisam se manter bem lubrificados, para prevenir a fotofobia e suas possíveis complicações. Para tanto, pode ser necessário o uso de colírios ou apenas piscar numa frequência mais adequada.

Quando a pessoa deve procurar um oftalmologista?

Conforme comentamos, a fotofobia é multifatorial. Isso significa que ela pode ser provocada por diferentes fatores. Por esse motivo, em qualquer circunstância é essencial consultar um oftalmologista.

Essa é a maneira mais segura para identificar a verdadeira causa da sensibilidade, receber orientação e evitar complicações, como a cegueira noturna (hemeralopia) e dificuldade em enxergar na presença de reflexos da luz, limitando algumas atividades, como dirigir durante o dia ou à noite.

Como vimos, entender o que é fotofobia é muito importante para a identificação de uma sensibilidade à luz, que pode ter diferentes causas e precisa ser investigada por um oftalmologista.

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Dra. Thais Mendes

Dra. Thais Mendes

Médica Oftalmologista; Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica; Aluna de pós-graduação/doutorado UNIFESP-EPM; Retina Research Fellowship (University of California San Francisco 2012-2014); Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Fellowship Clínico e Cirúrgico em Retina e Vítreo (Instituto Suel Abujamra 2009-2012); Fellowship de Ultrassom Ocular (Santa Casa de São Paulo 2011-2012).

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