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Como não pegar conjuntivite!

Pessoa passando uma toalha sobre olho com conjuntivite

Em um belo dia, você acorda com olhos vermelhos e coçando muito, e, de repente, está lacrimejando o tempo todo e com uma sensação constante (e incômoda) de areia nos olhos. Sinto muito dizer, mas você pegou uma conjuntivite!

Neste post, vamos falar um pouco mais sobre essa enfermidade que acomete milhares de pessoas no mundo todo. Então, se você deseja saber como se pega conjuntivite, quais os tipos, os principais sintomas e as formas corretas de tratamento, continue a leitura!

O que é a conjuntivite?

A conjuntivite nada mais é do que a inflamação da conjuntiva — tecido fino e transparente que reveste o globo ocular (parte branca do olho) e a porção interna da pálpebra.

Geralmente, a infecção começa primeiro um dos olhos, mas, com o passar dos dias, o outro acaba sendo afetado. Se bem tratada, não costuma deixar sequelas e dura, em média, de uma semana a quinze dias, podendo ser aguda ou crônica.

Infográfico - Conjuntivite

Clique na imagem e baixe o nosso infográfico!

Qual o período de maior incidência?

A incidência da doença aumenta durante as estações do verão e do inverno, pois são as épocas nas quais nos expomos mais a situações que envolvem aglomeração de pessoas.

Já no outono, o risco está relacionado à baixa umidade do ar, que tende a ressecar as mucosas e abrir espaço para a contaminação.

Quais os sintomas mais comuns?

Os sintomas de conjuntivite diferem com base na causa da inflamação, mas podem incluir:

  • vermelhidão;
  • inchaço das pálpebras;
  • lacrimejamento intenso;
  • secreção purulenta ou esbranquiçada;
  • coceira;
  • ardência;
  • visão embaçada;
  • dificuldade de abrir os olhos ao acordar;
  • maior sensibilidade à luz (fotofobia).

Há mais de um tipo?

Para a surpresa de muitos, a conjuntivite pode ser dividida em quatro tipos, de acordo com os sintomas e as causas: a viral, a bacteriana, a alérgica e a tóxica. Os sinais costumam ser muito parecidos. Portanto, a melhor maneira de diferenciá-las é procurando atendimento médico.  Abaixo, explicamos cada um deles:

1. Conjuntivite viral

Causada por vírus (principalmente os adenovírus), esse é o gênero mais comum, por ser de fácil disseminação. Sua transmissão, ao contrário do que muitos pensam, não é feita através do ar, mas pelo contato com secreções oculares, tosse ou espirro de pessoa infectada.

Os sintomas dos quais as pessoas mais se queixam são sensação de areia nos olhos, secreção esbranquiçada e lacrimejamento intenso. É preciso saber que a resolução completa do quadro pode levar até duas semanas e, dependendo da gravidade (sobretudo, do subtipo de adenovírus causador), podem aparecer manchas na córnea, provocando dificuldade visual.

Não há tratamento específico, mas para amenizar os incômodos causados, utilize o colírio indicado pelo seu médico.

2. Conjuntivite bacteriana

Esse tipo é causado por bactérias como Staphylococcus, Streptococcus, Clamydia e Neisseria (conjuntivite gonocócica). O seu aparecimento é menos frequente do que o da viral, no entanto, ela é mais perigosa.

Uma vez que o contágio ocorre por meio de contato pessoal com a bactéria, evite encostar nos olhos ou em algum local infectado. A conjuntivite bacteriana pode aparecer em recém-nascidos em razão de contaminação no canal do parto.

Normalmente é identificada pelos sinais de vermelhidão, secreção purulenta e inchaço intensos, mas o lacrimejamento não é tão frequente. O seu tratamento consiste em antibióticos em gotas ou pomadas, receitados por oftalmologista, acrescidos de higiene correta do olho com soro fisiológico.

3. Conjuntivite alérgica

Em geral, essa categoria de conjuntivite afeta ambos os olhos, sendo provocada por substâncias alérgenas como poeira, pólen e pelos de animais. Em outros casos, a irritação se dá devido a elementos presentes nos xampus ou nas maquiagens.

Atenção! Se você já tem alguma alergia — tal qual rinite ou bronquite —, é mais propenso a esse tipo de conjuntivite. Coceira intensa e muito inchaço são os sintomas mais evidentes. A vermelhidão e o lacrimejamento, por sua vez, ocorrem em menor proporção. O tempo de duração pode variar e a melhor medicação é a utilização de colírio antialérgico.

4. Conjuntivite tóxica

A forma como se pega conjuntivite tóxica é através da contaminação com produtos químicos — sendo os mais comuns as tinturas de cabelo, os produtos de limpeza, os venenos agrícolas e a fumaça do cigarro — ou ainda alguns medicamentos.

Ela se manifesta por meio de olhos lacrimejantes e vermelhidão. Contudo, essas desagradáveis sensações costumam desaparecer rapidamente se a região for lavada com soro fisiológico.

Como é feito o diagnóstico?

Seja de qual tipo for, o diagnóstico da doença é simples, feito por meio do exame oftalmológico realizado por especialista, o oftalmologista. Em alguns casos, pode-se coletar a secreção para exames mais específicos.

Não deixe de procurar o seu médico assim que aparecerem os primeiros sintomas! Na maioria dos casos e, especialmente, nas duas semanas iniciais, a conjuntivite é altamente contagiosa. O diagnóstico precoce pode ajudar na proteção das pessoas com as quais você convive.

Por que o tratamento é importante?

Se o paciente seguir o tratamento indicado pelo especialista, as chances de obter uma completa resolução do quadro são maiores. Além disso, o uso da medicação correta e as orientações dadas durante a consulta colaboram para evitar complicações e até sequelas.

Importante alertar que somente o oftalmologista pode dizer qual o medicamento mais adequado para o seu caso, a dosagem precisa e o tempo de duração do tratamento. Siga as orientações oferecidas por ele e, em hipótese alguma, se automedique.

O uso, por exemplo, de colírios corticóides sem prescrição pode causar glaucoma, catarata, entre outros efeitos colaterais. Interromper o tratamento ou aumentar a dose do medicamento receitado pode ser igualmente perigoso.

De que maneira se prevenir ou impedir a propagação?

Agora que você já sabe como se pega conjuntivite, fica mais fácil compreender de que maneira se prevenir do contágio, bem como impedir a sua disseminação (caso você ou alguém próximo já tenha contraído a doença). Selecionamos alguns cuidados essenciais, vamos a eles?

Evite o contato com a secreção de uma pessoa doente

Quando a conjuntivite é infecciosa (viral ou bacteriana), é necessário evitar o contato com as pessoas infectadas, da mesma forma que elas devem se resguardar no período de infecção. Nesse sentido, é melhor não usar os mesmos utensílios domésticos e objetos, que devem ser higienizados.

Também é importante não compartilhar toalhas, roupas de cama, travesseiros, almofadas e quaisquer outros itens que possam entrar em contato com os olhos de uma pessoa infectada. Além disso, é bom lembrar que a forma viral ainda pode ser contraída pelo contato com a saliva.

No entanto, isso não quer dizer que a conjuntivite se pega pelo ar. Ou seja, é possível conviver normalmente com alguém doente, desde que se tenha cuidado com a higiene pessoal e não compartilhe os objetos pessoais ou alimentos.

Mantenha uma higiene pessoal adequada

A higiene é fundamental para evitar o contágio, sempre. Mesmo quem não está convivendo com alguém doente deve sempre lavar as mãos antes de levá-las aos olhos. Do contrário, é possível se contaminar diretamente, levando as bactérias ou vírus que vão causar a inflamação.

Um detalhe importante é que as bactérias e vírus são bastante resistentes, ainda que estejam em locais públicos. É o caso, por exemplo, de locais fechados, como ônibus e elevadores, além dos corrimãos de escadas.

Assim, como é quase impossível evitar esses lugares, o melhor é não colocar as mãos nos olhos sem lavá-las antes.

Impeça a autocontaminação

Mais uma vez, é a higiene pessoal que vai pesar aqui. A verdade é que o nosso corpo carrega uma infinidade de bactérias e vírus. E eles podem habitar uma parte do corpo sem nenhum prejuízo — mas podem contaminar outra se forem levados até ela.

Um exemplo são bactérias que vivem normalmente no nosso intestino e na boca, mas que podem causar infecções em contato com os olhos.

Essa autocontaminação é muito comum. Por isso, deve-se evitar levar as mãos à boca e depois aos olhos. Da mesma forma, não se pode pegar ou coçar as partes íntimas e não lavar as mãos em seguida.

Outra situação facilmente ignorada é a contaminação de um olho pelo outro. Quando se coça o olho contaminado e, depois, o que está saudável, é quase certo que os vírus e bactérias serão transmitidos ao outro, ficando você com conjuntivite em ambos.

Evite lugares fechados ou aglomerados

São muito comuns os relatos de pessoas que contraíram a conjuntivite após frequentarem piscinas, ambientes fechados ou aglomerados.

Sempre usar os óculos de proteção quando for nadar, não compartilhar protetores solares ou outros produtos, buscar por espaços em que haja circulação de ar são algumas das medidas preventivas que você pode tomar.

Suspenda o uso de substâncias que podem causar alergias

O olho é uma região naturalmente muito sensível, sendo fácil de identificar uma substância irritante. Ao contrário dos vírus e bactérias, os alérgenos não são transmitidos de uma pessoa para outra.

A possibilidade de se ter uma alergia varia muito de uma pessoa para outra. Por isso, é fundamental prestar atenção às substâncias, como maquiagens, cosméticos e produtos químicos, sobretudo a data de validade deles. É fundamental evitar o contato com os causadores de alergia, quando são conhecidos.

Da mesma forma, deve-se suspender o uso de qualquer material que possa entrar em contato com os olhos se começar uma irritação. É necessário lavá-los bem para retirar o produto, assim como as mãos, antes de levá-las aos olhos.

Enfim, esperamos que estas informações sobre como se pega conjuntivite, como identificá-la e como se proteger tenham sido válidas e, principalmente, convençam você a procurar um oftalmologista com mais frequência. Lembre-se sempre: seja qual for o seu tipo, a doença deve ser tratada corretamente e o quanto antes!

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Prof. Dr. Alexandre Rosa

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorado em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Especialista em doenças da retina e vítreo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Professor de Oftalmologia da Universidade Federal do Pará.

Comentários (8)

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    JULIA

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    ESTOU COM CONJUTIVITE EU NAO POSSO SAIR DE CASA

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    Aiuza

    |

    Gostaria de saber mais sobre glaucoma,

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    Laerte Favero

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    Li na Web que não é recomendável usar colírios com antibióticos. Alguém me disse que os índios pingam sumo de limão.

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      RetinaPro

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      Ola Laerte, obrigado pelo contato…O uso de colirios deve ser indicado pelo seu medico oftalmologista, dependendo do tipo de conjuntivite não ha necessidade de usar, realmente. Mas sumo de limão não deve ser usado, pois pode causar sérios danos a superficie ocular, ok? Atenciosamente, Equipe RetinaPro.

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      Alexandre Rosa

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      Ola Laerte, o uso de antibióticos deve ser especifico apenas para os quadros de conjuntivite bacteriana. Mas sumo de limão não deve ser usado nos olhos, ok? Atenciosamente, Alexandre Rosa

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        Laerte Favero

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        Desculpe-me, mas poderia ser mais específico: cientificamente falando, porque o sumo de limão não serve ? Nem diluído em água ?

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          Alexandre Rosa

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          Ola laerte obrigado mais uma vez pelo contato, o limão tem em sua composição acido cítrico, que tem um ph bem irritativo aos olhos, podendo causar sérios danos a córnea, alem disso, há ainda a possibilidade de contaminação com bactérias, afinal os colírios são preparados com substâncias que inibem o crescimento destes germes (chamamos isso de conservantes). Portanto, não se deve usar qualquer medicamento nos olhos sem que seja específico para isso, OK? Espero ter ajudado…att Alexandre Rosa

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