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Hemorragia subconjuntival: quais os riscos?

Tire suas principais duvidas sobre hemorragia

Você acorda e, de repente, percebe que o seu olho está com uma mancha vermelha de sangue. Podemos adiantar que as chances de ser uma hemorragia subconjuntival, ou derrame ocular externo, são grandes. Entretanto se acalme, apesar do nome e da aparência que assustam, o problema é muito comum e não oferece grandes riscos para a sua visão.

Esse tipo de sangramento é ocasionado pela ruptura de pequenos vasos situados na conjuntiva — uma membrana transparente e fina que recobre a parte branca dos nossos olhos (esclera). Uma vez que atinge apenas a superfície ocular, a hemorragia subconjuntival não costuma vir acompanhada de incômodo forte ou dor. Além disso, o tratamento, quando considerado necessário, é simples, rápido e prático.

De qualquer maneira, é sempre bom ficar atento e procurar um oftalmologista, pois a hemorragia subconjuntival pode ser indicativo da existência de uma doença mais grave. Gostaria de saber um pouco mais sobre o assunto? Abaixo, listamos as principais dúvidas que surgem quando falamos de derrame ocular, prossiga a leitura!

Quais são os principais sintomas da hemorragia subconjuntival?

Diferentemente da hemorragia vítrea (ou derrame ocular interno) cujo sangramento ocorre na região interna dos olhos, portanto, não sendo visível a olho nu, a hemorragia subconjuntival apresenta, como sinal típico, o aparecimento súbito de uma mancha vermelho viva na parte branca do olho.

Em geral, ela começa com uma mancha vermelha intensa e localizada, mas que vai se espalhando gradativamente por todo o local. Para tornar mais compreensível, é possível efetuar um paralelo de tal lesão com um hematoma, ou seja, um sangramento de pele. Para além do sangue aparente, há casos em que o paciente sente uma ligeira irritação ou sensação de aspereza na superfície do olho afetado.

Os sintomas costumam desaparecer de maneira espontânea, em um período de uma a duas semanas. Se o sangramento vier acompanhado de dor, ardor, febre, sensibilidade à luz (fotofobia), secreção ou embaçamento na vista, recomenda-se procurar um médico de imediato. Pois, eles podem ser indicativos de doenças adjacentes e causar sérios danos à visão.

Quais podem ser as causas?

As causas de um derrame ocular externo são variadas, isto é, ele pode decorrer de processos alérgicos, infecciosos, traumáticos etc. A seguir elencamos os fatores desencadeantes mais frequentes:

  • aumento súbito da pressão arterial;
  • alteração na coagulação sanguínea (em decorrência ou não do uso de medicamentos anticoagulantes);
  • esforço físico intenso;
  • alergias diversas;
  • vômitos acentuados;
  • força excessiva para evacuar;
  • traumas ou lesões (em razão do hábito de coçar ou esfregar os olhos);
  • pós-operatório (cirurgias no olho ou nas pálpebras);
  • infecções oculares;
  • tosse prolongada;
  • espirros constantes;
  • doenças sistêmicas etc.

Se os episódios hemorrágicos são recorrentes, o problema deve ser estudado com mais cuidado pelo oftalmologista. Visto que, ele pode ser consequência da existência de alguma doença nos olhos ou em outra parte do corpo. As doenças sistêmicas que mais estão relacionadas ao derrame ocular são: hipertensão arterial, diabetes e deficiência de vitamina K (que tem uma função significativa na coagulação do sangue).

O sangramento decorrente de traumas ou esforço acentuado são comuns em bebês, visto que eles costumam coçar os olhos demasiadamente e fazer muita força para tossir ou espirrar. Outro grupo que é constantemente afetado com o problema são os idosos, porque, com a idade avançada, os vasos da conjuntiva ficam mais frágeis. Dificilmente há complicações em casos assim.

Como é feito o tratamento?

Caso os seus olhos estejam com sangramento visível e você suspeite de uma hemorragia subconjuntival, procure quanto antes um especialista para que ele possa realizar uma avaliação ocular. A consulta oftalmológica é importante, pois esse sintoma pode direcionar para outros diagnósticos, tais como a conjuntivite ou a uveíte.

Apesar da vermelhidão ser uma manifestação semelhante, essas outras doenças normalmente vêm acompanhadas de pruridos, secreções oculares ou uma sensação de que há areia nos olhos. De qualquer maneira, somente o oftalmologista está capacitado para detectar qual é efetivamente o seu caso.

Via de regra, o derrame ocular externo não precisa de tratamento específico, dado que o sangue é naturalmente absorvido pelo organismo do indivíduo. Sendo assim, não há perigo de sequelas ou de prejuízos à visão. Para alguns pacientes, no entanto, é recomendado aplicar compressas frias, ou mesmo, de colírios que auxiliam na constrição dos vasos sanguíneos.

Devo me preocupar com riscos de perda visual?

Quando as pessoas percebem o sangramento nos olhos e escutam as palavras derrame ocular, AVC e hemorragia como diagnóstico, a primeira preocupação que as aflige diz respeito ao risco de perda de visão.

Conformo verificamos, a hemorragia subconjuntival  dificilmente pode acarretar em complicações ou danos sérios aos olhos do paciente. A forma de identificá-la, bem como, o seu tratamento são relativamente simples. No entanto, é essencial realizar uma consulta com um especialista, pois o quadro pode apontar para algumas doenças mais graves.

Caso o paciente manifeste outros sintomas, como dores, redução da acuidade visual, visão turva, fotofobia ou qualquer outra anormalidade, é fundamental ir ao oftalmologista de imediato.

Não espere que os sinais de uma doença sejam externados para cuidar de sua saúde ocular! Consultar-se regularmente pode protegê-lo de inúmeros problemas. Certamente, o maior benefício de um diagnóstico precoce é a oportunidade de iniciar o tratamento de modo rápido e eficaz, ou seja, com chances de alcançar os melhores resultados.

Pronto, agora você já sabe que a hemorragia subconjuntival é um transtorno de fácil resolução e, mais do que isso, que ela não é uma ameaça para a sua visão! Mas há outros tipos de sangramento que são temerários, não facilmente identificáveis, mas que necessitam de sua atenção, como, por exemplo, aqueles que ocorrem nas camadas internas do olho.

Quer descobrir como funciona o derrame ocular interno, quais são os seus riscos e como ele pode estar relacionado com outras doenças, entre as quais a chamada retinopatia diabética? Leia este post e descubra 6 coisas que você precisa saber sobre o problema!

 

 

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Dra. Thais Mendes

Dra. Thais Mendes

Médica Oftalmologista; Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica; Aluna de pós-graduação/doutorado UNIFESP-EPM; Retina Research Fellowship (University of California San Francisco 2012-2014); Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Fellowship Clínico e Cirúrgico em Retina e Vítreo (Instituto Suel Abujamra 2009-2012); Fellowship de Ultrassom Ocular (Santa Casa de São Paulo 2011-2012).

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